Diálogo é o que Gabriel Boric está propondo para resolver os conflitos históricos do país com o povo originário Mapuche.
“Os Estados devem limitar ao máximo o uso das Forças Armadas para o controle da ordem pública, visto que o treinamento que recebem não visa a proteção e controle de civis, nem a gestão de manifestações”, afirmou o representante do escritório do ACNUDH para a América do Sul, Jan Jarab, que também pediu uma investigação “rápida, completa, rigorosa e eficaz” dos eventos (...) A versão oficial de um ataque armado contradiz declarações de feridos e testemunhas, que afirmam que os militares dispararam contra os veículos que aguardavam diante do bloqueio da rota. (ONU, 2021).
Analisando à História do povo originário Mapuche, o território Mapuche foi reduzido no período colonial.
A descolonialidade perpassa pela autonomia dos povos originários e no caso dos Mapuche a fragmentação dificulta à garantia territorial Mapuche.
Para Francisco Huichaqueo (1977) el museo es una herramienta de descolonización que debe ser utilizada por la nación mapuche para recuperar su patrimonio, un concepto difícil de imaginar en relación con lo que nosotros huincas entendemos cuando hablamos de objetos indígenas. (VILLANUEVA, 2021).
O que foi e o que é hoje o território Mapuche
Abusos contra mapuches
Durante o período que se seguiu à guerra de 1871, os mapuches nas partes ocupadas chilenas sofreram muitos abusos e até assassinatos por colonos e militares chilenos. Um dos casos mais notáveis ...foi o assassinato de Domingo Melín em 1880 por elementos do exército chileno.
... [Chilenos] estupraram e mataram minhas mulheres, assassinaram meus filhos e empalaram minhas mulheres. Como é que o senhor coronel não quer que eu pegue em armas sendo tratada assim?
Gregorio Urrutia após a revolta
No livro Políticas Lingüísticas na América Latina, Orlandi (1988) deixa claro que nos
processos de confronto entre europeus (e seus descendentes) e indígenas, tem
existido e existe uma forte injunção política à transformação dos indígenas, em que
“por definição, já se considera o europeu no desenvolvimento pleno de suas
formas histórico-sociais e os índios, também já por definição, como em estado de
natureza, sem história e que, portanto, devem ser mudados. Dessa forma, aí
temos uma relação de embate político-lingüístico exemplar” (ORLANDI, 1988: 9).
E novamente nos encontramos com o termo “adequado” e nos perguntamos:
adequado para quem? Para os indígenas? Para os chilenos? Em síntese, nesse
trecho discursivo em que se tenta definir o objetivo da EIB, o alvo a atingir fica
indefinido, vago, passando o sentido de que o intuito da lei é mais uma boa intenção
do Estado, ou uma aparente boa intenção do Estado, que através da Lei Indígena e
do artigo específico destinado ao tema da EIB não consegue definir orientações
específicas do que seria e como deveria ser implementado esse tipo de
escolarização.
A última seqüência discursiva do artigo 32 estabelece:
“Para tal efeito [desenvolver um sistema de educação intercultural bilíngüe] poderá
financiar ou conveniar, com os governos regionais, prefeituras ou organismos
particulares, programas permanentes ou experienciais”.
Parafraseando essa formulação poderíamos dizer: com o objetivo de desenvolver
um sistema de EIB, a Corporação Nacional de Desenvolvimento Indígena terá a
possibilidade de levar a cabo programas de EIB permanentes ou experienciais,
custeando-os ou fazendo convênios com instituições governamentais e não
governamentais. Quer dizer, a lei fala que a CONADI poderá, terá a possibilidade de
desenvolver programas e projetos de EIB, na imprecisão temporal do futuro. É uma
possibilidade e não uma certeza que esses programas possam realizar-se ou não no
futuro, ficando a incerteza como efeito de sentido dessa fala; ou seja, pode ser ou
não que se desenvolvam experiências de EIB, pode ser ou não que cheguem a
existir programas permanentes. Assim mesmo, o fato da lei falar de programas que
podem ser permanentes ou experiências está significando, no mesmo sentido,
inespecificidade, incerteza. Por outro lado, se olharmos o conteúdo desse trecho,
vemos que a responsável por encaminhar esses programas e projetos de EIB é a
CONADI. Além disso, se observarmos a última parte do recorte “com o apoio dos
governos regionais, prefeituras ou organismos particulares”, vemos que a
preposição “com” está relacionando a CONADI a outras entidades governamentais e
não governamentais que poderiam ou não apoiar essa entidade do governo no
desenvolvimento desses programas e projetos. (OTO, 2007, p. 43).
POR TERRITÓRIO E AUTONOMIA PARA A NAÇÃO MAPUCHE!!!
FORA EMPRESAS FLORESTAIS, HIDRELÉTRICAS E DEMAIS INVESTIMENTOS CAPITALISTAS DO WALLMAPU!!!
LIBERDADE A DANIEL CANIO E A TODOS OS PRESOS POLÍTICOS MAPUCHE!!!
AMULEPE TAIÑ WEICHAN WEWAIÑ- MARRICHIWEU!!!
NÃO SOMOS OS INDÍGENAS DO CHILE, SOMOS MAPUCHE!!! (Matías Catrileo).
COORDENAÇÃO ARAUCO MALLECO.”
Bibliografia
OTO VELOSO, E.G. Mapudungun e processos de escolarização dos Mapuche no discurso governamental e pedagógico no
Chile. Labor & Engenho, Campinas [Brasil], v.1, n.1, p.28-47, 2007. < https://www.researchgate.net/figure/Figura-4-Mapa-de-localizacao-do-territorio-mapuche-no-Chile-e-na-Argentina-localizando_fig2_320917451 > Acessado em 01 de janeiro de 2022.
Levante Mapuche de 1881, https://stringfixer.com/pt/Mapuche_uprising_of_1881 > Acessado em 01 de janeiro de 2022.
Comunicado Mapuche denuncia farsa constitucionl 2021. < https://uniaoanarquista.wordpress.com/2020/11/08/comunicado-mapuche-denuncia-farsa-constitucional/amp/ > Acessado em 01 de janeiro de 2022.
ONU, https://istoe.com.br/onu-expressa-preocupacao-com-militarizacao-de-zona-mapuche-no-chile-apos-morte/
VILLANUEVA, Nicole, DESCOLONIZAR LOS MUSEOS DESDE LA ESPIRITUALIDAD Y SABIDURÍA MAPUCHE. ENTREVISTA AL DOCENTE DAP FRANCISCO HUICHAQUEO
Nicole Villanueva
Mayo 31, 2021.
A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...
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