A Nova Guerra Fria está dividindo o mundo em dois sistemas económicos contrastantes
A guerra por procuração da NATO na Ucrânia contra a Rússia é o A China, o país que cresce mais rapidamente, trata o dinheiro e o crédito como uma utilidade pública alocada pelo governo em vez de permitir o privilégio monopolista da criação de crédito privatizado pelos bancos, levando-os a substituir o governo como planeador económico e social. Esta independência monetária, contando com sua própria criação de dinheiro, em vez de pedir empréstimos em dólares eletrónicos dos EUA, controlando o comércio externo e o investimento na sua própria moeda em vez de dólares, é vista como uma ameaça existencial ao domínio da economia global pelos Estados Unidos.
A doutrina neoliberal dos EUA exige que a História termine “libertando” as classes ricas de um governo forte o suficiente para impedir a concentração da riqueza, o declínio e a queda final. A imposição de sanções comerciais e financeiras contra a Rússia, Irão, Venezuela e outros países que resistem à diplomacia dos EUA e, finalmente, ao confronto militar, é como os Estados Unidos pretendem com a NATO “espalhar a democracia” da Ucrânia ao Mar da China.
O Ocidente, na iteração neoliberal dos EUA, parece repetir o padrão de declínio e queda de Roma. Concentrar a riqueza nas mãos do 1% sempre foi a trajetória da civilização ocidental. É o resultado da antiguidade clássica ter tomado um caminho errado quando Grécia e Roma permitiram o crescimento inexorável da dívida, levando à expropriação de grande parte da cidadania, reduzindo-a à servidão perante uma oligarquia credora proprietária de terras. Esta é a dinâmica embutida no ADN do que é chamado Ocidente e a sua “segurança dos contratos” sem supervisão governamental quanto ao interesse público. Ao eliminar a prosperidade em casa, essa dinâmica exige um esforço constante para extrair riqueza económica (literalmente um “fluxo”) às custas de colónias ou países devedores.
Os Estados Unidos, por meio de sua Nova Guerra Fria, pretendem precisamente garantir o tributo económico dos outros países. O conflito vindouro pode durar talvez vinte anos e determinará que tipo de sistema político e económico o mundo terá. Em questão está mais do que simplesmente a hegemonia dos EUA e seu controlo através do dólar das finanças internacionais e da criação de dinheiro. Politicamente, em questão está a ideia de “democracia” que se tornou um eufemismo para uma oligarquia financeira agressiva que busca impor-se globalmente pelo controlo financeiro, económico e político predatório, apoiado pela força militar.
Como procurei enfatizar, o controlo oligárquico do governo tem sido a característica distintiva da civilização ocidental desde a antiguidade clássica. E a chave para esse controlo tem sido a oposição a um governo forte. Isto é, um governo civil forte o suficiente para impedir que uma oligarquia credora emerja e monopolize o controle da terra e da riqueza, tornando-se uma aristocracia hereditária, uma classe rentista que vive de rendas da terra, juros e privilégios de monopólio que reduzem a generalidade da população à austeridade.
A ordem unipolar centrada nos EUA na esperança de “acabar com a História” refletiu uma dinâmica económica e política básica que tem sido característica da civilização ocidental desde que a Grécia e Roma clássicas seguiram um caminho diferente da matriz do Próximo Oriente no primeiro milénio AC. Para evitarem ser arrastados para o redemoinho de destruição económica que agora envolve o Ocidente, os países do núcleo euro-asiático em rápido crescimento no mundo, desenvolvem novas instituições económicas baseadas numa filosofia social e económica alternativa. Com a China sendo a maior economia e de mais rápido crescimento da região, as suas políticas socialistas provavelmente serão influentes na formação do emergente sistema financeiro e comercial não-ocidental.
Em vez da privatização da infraestrutura económica básica no Ocidente para criar fortunas privadas por meio da extração de rendas monopolistas, a China mantém isso em mãos públicas. Sua grande vantagem sobre o Ocidente é que trata o dinheiro e o crédito como uma utilidade pública, sendo alocada pelo governo em vez de permitir que os bancos privados criem crédito, com a dívida a crescer, sem expansão da produção para elevar os padrões de vida. A China também mantém a saúde, a educação, o transporte e as comunicações em mãos públicas, como direitos humanos básicos.
A política socialista da China representa, em muitos aspetos, um retorno às ideias básicas de resiliência que caracterizaram a maioria das civilizações antes da Grécia e Roma clássicas. A China criou um Estado suficientemente forte para resistir ao surgimento de uma oligarquia financeira que ganhasse o controle da terra e dos ativos rentáveis. Em contraste, as economias ocidentais de hoje estão repetindo exatamente aquele impulso oligárquico que destruiu as economias da Grécia e Roma clássicas, com os Estados Unidos tornando-se o equivalente moderno de Roma.
11/Julho/2022
A primeira parte deste artigo encontra-se em resistir.info/m_hudson/colapso_11jul22_1.html
https://resistir.info/m_hudson/colapso_11jul22_2.html
A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...
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