Esta subjugação é retratada por economistas tradicionais [mainstream] como uma lei da natureza e, portanto, como uma forma natural de equilíbrio, na qual a economia de cada nação recebe “o que ela vale”. Os atuais modelos econômicos do ‘mainstream’ se baseiam no pressuposto não-realista de que todas as dívidas podem ser pagas sem polarizar a renda e a riqueza. Presume-se que todos os problemas econômicos são auto-curáveis através da “mágica do mercado”, sem necessidade de intervenção de uma autoridade cívica. A regulação governamental é tida como ineficiente e ineficaz e, portanto, desnecessária. Isto deixa os credores, os tomadores de terras e os privatizadores com uma mão livre para desprivar outros da liberdade deles. Isto é retratado como o destino último da atual globalização e da própria história.
Será este o final da história? Ou será apenas o final da financeirização e a privatização do Ocidente?
A farsa neoliberal é que a privatizar o domínio público e deixar o setor financeiro assumir o planejamento econômico e social em países-alvo produzirá uma prosperidade mutuamente benéfica. Supõe-se que isto traga a submissão voluntária dos países estrangeiros à ordem mundial centrada nos EUA. Porém, o efeito real da política neoliberal tem sido de polarizar as economias do Sul Global e sujeita-las à austeridade contraída em dívidas.
O neoliberalismo estadunidense reivindica que a privatização, financeirização e mudança de planejamento econômico dos EUA do governo para Wall Street e outros centros financeiros é o resultado de uma vitória Darwiniana alcançando tal perfeição que este será “o fim da história”. Isto é como se o resto do mundo não tivesse alternativa alguma a não ser aceitar o controle dos EUA sobre o sistema financeiro global (isto é, neocolonial), o comércio e a organização social. E só para ter certeza disso, a diplomacia estadunidense busca sustentar o seu controle financeiro e diplomático com a força militar.
A ironia é que a própria diplomacia dos EUA ajudou a acelerar uma resposta internacional ao neoliberalismo, ao forçar a junção de governos fortes o suficiente para retomar a longa tendência da história que vê os governos como empoderados para evitar que a dinâmica oligárquica corrosiva descarrilhe o progresso da civilização.
O século XXI começou com os neoliberais estadunidenses imaginando que a sua financeirização e privatização sustentadas em dívidas iria encerrar a longa extensão da história humana como um legado da Grécia e Roma clássicas. A visão neoliberal da história antiga ecoa aquela das oligarquias da antiguidade, que denigravam os reis romanos e os tiranos-reformistas gregos por ameaçar uma intervenção pública forte demais, quando eles visavam manter os cidadãos livres da escravidão das dívidas e tentavam garantir a sua propriedade autossustentável da terra. Aquilo que é visto como o ponto de decolagem decisivo é a “segurança dos contratos” das oligarquias, dando aos credores o direito de expropriar os devedores. Efetivamente, isto permanece como uma característica que tem definido os sistemas legais ocidentais nos dois últimos milênios.
Um verdadeiro fim da história significaria que as reformas param em cada país. Este sonho parecia estar próximo quando os liberais estadunidenses receberam mão livre para remodelar a Rússia e outros países pós-soviéticos depois que a União Soviética se dissolveu em 1991, começando com a terapia de choque de privatizar os recursos naturais e outros ativos públicos, passando-os para as mãos de cleptocratas orientados ao Ocidente, os quais registraram a riqueza pública nos seus próprios nomes – e as monetizaram ao vender as suas pilhagens aos EUA e outros investidores ocidentais.
Presumiu-se que o final da história da União Soviética consolidaria o Fim da História estadunidense, ao demonstrar quão fútil seria que as nações tentassem criar uma ordem econômica alternativa, baseada no controle público do dinheiro e dos bancos, da saúde pública, da educação grátis e outros subsídios das necessidades básicas, livres da financeirização de dívidas. A entrada da China na Organização Mundial do Comércio, em 2001, foi vista como uma confirmação de reivindicação de Margaret Thatcher que ‘There Is No Alternative’ (TINA – Não Há Outra Alternativa) à nova ordem neoliberal patrocinada pela diplomacia dos EUA.
Obviamente, há uma alternativa econômica. Olhando para o decurso da história antiga, podemos ver que o principal objetivo dos governantes antigos, desde a Babilônia até o Sul da Ásia e o Sudeste da Ásia, era de evitar que uma oligarquia mercantil e credora reduzisse a população em geral ao clientelismo, à escravidão da dívida e à servidão. Se agora o mundo eurasiano não vinculado aos EUA segue esta meta básica, ele estará restaurando o fluxo da história ao seu curso pré-ocidental. Isto não será o fim da história, mas retornaria aos ideais básicos do mundo não ocidental de equilíbrio econômico, justiça e equidade.
Atualmente, a China, a Índia, o Irã e outras economias eurasianas estão dando o primeiro passo, como uma pré-condição para um mundo multipolar, ao rejeitarem a insistência dos EUA de que eles se juntem às sanções comerciais e financeiras contra a Rússia. Estes países se dão conta que, se os EUA destruírem a economia da Rússia e substituírem o seu governo por procuradores [proxies] tipo-Yeltsin orientados aos EUA, os demais países da Eurásia seriam os próximos na fila.
A única maneira possível para que a história realmente acabe seria se as forças militares estadunidenses destruíssem cada nação que busque uma alternativa à privatização e financeirização neoliberal. A diplomacia dos EUA insiste que a história não deve passar por caminho algum que não culmine na dominação do mundo pelo seu próprio império financeiro através de oligarquias-clientes. Os diplomatas estadunidenses têm a esperança que as suas ameaças militares e o seu apoio a exércitos-por-procuração forçarão outros países a se submeterem às exigências neoliberais – a fim de evitar serem bombardeados, ou sofrerem ”revoluções coloridas”, assassinatos políticos e golpes militares tipo-Pinochet. Mas a única verdadeira maneira de dar um fim à história é através da guerra atômica para acabar com a vida humana neste planeta.
Michael Hudson: O Fim da Civilização Ocidental https://www.brasil247.com/mundo/michael-hudson-o-fim-da-civilizacao-ocidental#.Y4kKHKcSZrg.whatsapp
A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...
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