Quando novo, iniciante no debate acadêmico, eu me impressionava muito com a capacidade de certos intelectuais de questionarem qualquer texto a respeito de qualquer assunto. Eles pareciam saber tudo, a ponto de encontrar fraquezas nos mais diferentes argumentos sobre qualquer coisas
Com o passar do tempo esse juízo foi se invertendo. Ele foi se invertendo, principalmente, quando eu comecei a compreender a dificuldade imensa, especialmente nas ciências humanas, de construir qualquer coisa. De pretender propor qualquer conceito, mesmo que muito modesto.
Essa dificuldade está ligada à falta de acordo metodológico na área, claro, também à evidentes complexidade da vida humana, mas também a uma desconfiança generalizada de que qualquer pensamento construtivo esconderia o exercício autárquico de um poder, esconderia a justificação furtiva da dominação.
Em uma situação ideal, em que todos estivéssemos de boa fé, sem desconfiar das boas intenções de ninguém, a tentativa de construir um conceito, pela dificuldade da tarefa em si mesma, deveria ser encarada não com suspeita, mas com benevolência. Mesmo antes de qualquer objeção, esta é uma tarefa quase impossível que encontrará imensos obstáculos pela frente.
Por isso mesmo, o debate com uma pessoa que se coloca nessa posição deveria ser a de tentar auxilia-la, encarando seus argumentos da melhor maneira e reformulando-os, se for o caso, para que eles façam sentido. Na mesma ordem de razões, objeções muito rápidas ou violentas deveriam ser encaradas, esta sim, com pouca tolerância.
É claro, em um ambiente de desconfiança generalizada em que todo o conceito pode esconder um desejo de dominação, todos os alarmes estão ligados. E ligados a ponto de intimidar qualquer pessoa que pretenda assumir uma postura construtiva. Eu diria, inclusive, que assumir uma postura assim será péssimo para qualquer carreira intelectual no mundo de hoje.
Mas como é possível restaurar a confiança no pensamento construtivo, propositivo? E como é possível voltar a encorajar jovens intelectuais a proporem novos conceitos? Conceitos com pretensões universais?
Porque a desconfiança em grande parte procede. Ela não é gratuita. Em nome dessa desconfiança foram desvendados diversos mecanismos de poder, ao menos desde o século XIX. Da universalidade formal dos direitos humanos, denunciada por Marx, em diante.
O problema estaria então na tentativa de criar conceitos universais? Devemos abandonar essa pretensão completamente e encarar qualquer pessoa que se engajar nessa tarefa como suspeita? Merecem nossa confiança apenas aqueles que denunciam o universal?
Mas será que agir assim não implicaria em abdicar do que temos de mais humano para mergulhar em uma espécie de todo indeterminado em que tudo apenas existe, mas sem a consciência de estar existindo? Deixar de construir conceitos - e de critica-los claro - não seria equivalente a morrer?
Ora, se for assim, não seria melhor, ao invés de amar a morte ainda em vida, procurar transformar a construção de conceitos, o trabalho do conceito - e não da definição, nota bene - em uma tarefa coletiva, colaborativa e que procure levar em conta o máximo de sentimentos, dados e argumentos possíveis?
Ainda mais se essa tarefa for realizada por alguém que ocupa posição de poder político nenhuma e que não acalenta pretensões de gerir corpo algum?
JOSE RODRIGO RODRIGUEZ é Professor da UNISINOS e Pesquisador do CEBRAP
A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...

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