A mudança de postura do governo em relação à Amazônia deverá ser
resultado de uma outra concepção, que não seja a da velha política econômica
produtivista e exploradora.
A Amazônia é um espaço de vida que reúne centenas de povos e milhares de comunidades. Temos cerca de 180 povos indígenas e mais de mil comunidades quilombolas, segundo a Nova Cartografia Social. São 28,4 milhões de habitantes (IBGE, 2021), distribuídos em 772 municípios, numa área que abrange 60% do território nacional.
Essa diversidade étnica e populacional reproduz conhecimentos seculares.
Não é correto se referir à Amazônia como uma mancha de potencial
econômico, pronta para virar geleia nas mãos do capital internacional ou das
suas concubinas nacionais e ignorar outras riquezas que consideramos importantes.
A Amazônia é um espaço de vidas.
A Amazônia é um espaço onde nascemos, vivemos e criamos nossos filhos,
filhas, netos, netas bisnetos e bisnetas, homens e mulheres da floresta. É aqui que nos construímos gente, seres humanos com uma cultura arraigada em
costumes e tradições herdadas de milhões de ancestrais espalhados pelas várzeas, matas e beira de rios, antes que a colonização chegasse e cumprisse sua missão genocida.
Qualquer projeto para nossa região tem que priorizar essa visão cultural e social, do contrário reproduzirá desigualdade e destruição de valores humanos
construídos por séculos.
No meio dessa mata vista pela janela do avião ou de fotografias tiradas por
satélites têm seringueiros, povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos,
pescadores e pescadoras artesanais, agricultores familiares, piaçabeiros,
peconheiros e muitos outros.
Mesmo diante de tanta riqueza cultural e diversidade social, a Amazônia tem uma Renda Média Domiciliar 46% menor do que a renda nacional (Censo 2010).
Todos os projetos nacionais implantados ou que tentaram implantar na nossa região foram de exploração econômica e nenhum de desenvolvimento social e
valorização cultural. Desde a primeira pisada do colonizador até o ataque brutal do capital só destruição foi feita.
Nós, povos da Amazônia, das cidades, dos rios e da floresta, queremos que
aqui se implante políticas públicas estruturantes, com sentido humano, social e
cultural. Que nossas riquezas naturais sirvam de proteção ao ambiente que
vivemos e não para a ganância do capital. Nossa gente da floresta ainda vive
na perspectiva da solidariedade e não do lucro. É possível desenvolver a
Amazônia sem destruí-la, basta respeitar nossos modos de vida.
Esperamos que o governo Lula tenha essa sensibilidade e compromisso social
com nossa região e com nossos povos.
Lúcio Carril
sociólogo
A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...
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