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A ARTES NO CONTEXTO DO CBTC/SC: BASES CONCEITUAIS, INTERDISCIPLINARIDADE E FORMAÇÃO HUMANA DIREITOS HUMANOS E CRÍTICA A DOMINAÇÃO E EXPLORAÇÃO ?

Esta análise discute o papel da área de Artes no âmbito do Currículo Base do Território Catarinense (CBTC/SC), considerando sua natureza epistêmica, sua relação com outras áreas do conhecimento e sua importância na formação integral dos estudantes. Fundamentado em teóricos da educação, da estética e das práticas artísticas, o estudo evidencia como a Arte, longe de ser atividade acessória, exerce papel crucial na construção de sentidos, no desenvolvimento crítico, cultural e simbólico, alinhado às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Palavras-chave: Artes; CBTC/SC; interdisciplinaridade; formação integral; estética.


1. Introdução

A área de Artes, conforme proposta no CBTC/SC, redefine seu papel no currículo escolar ao ultrapassar a noção restrita de “atividade criativa” para assumir uma função epistemológica de produção e interpretação de sentidos. Essa expansão se dá pela articulação entre Arte, cultura e sociedade, exigindo práticas pedagógicas que integrem estética, cultura, história, tecnologia e crítica social.

O presente estudo responde à necessidade de compreensão teórica dessa proposta curricular, analisando como a Arte se articula com outras áreas do conhecimento e contribui para o desenvolvimento de competências e habilidades complexas no Ensino Fundamental e no Ensino Médio.


2. Fundamentos Teóricos da Arte na Educação

2.1 Saberes estéticos e formação humana

Segundo GADOTTI (1994), a Arte não é apenas expressão estética, mas também um meio de desenvolver a consciência crítica e sensível. A educação estética promove a capacidade de perceber, interpretar e ressignificar o mundo.

FREIRE (1996) corrobora ao apontar que a prática pedagógica deve articular teoria e prática, criando condições para que o estudante seja protagonista de sua própria aprendizagem. A Arte é veículo essencial dessa mediação crítica.


2.2 Interdisciplinaridade e complexidade

MORIN (2000) afirma que o conhecimento não pode ser compartimentado em disciplinas estanques, mas deve articular diferentes linguagens e saberes. A Arte, por sua natureza transdisciplinar, permite essa articulação, conectando conteúdo, forma, estética e significado.


3. Artes no CBTC/SC: Concepções e Propostas

3.1 Arte como linguagem e produção de sentidos

O CBTC/SC apresenta a Arte como linguagem que:

permite a compreensão de diferentes modos de expressão humana;

se articula a outras áreas para enriquecer a compreensão de fenômenos complexos;

estimula competências como interpretação, criação, crítica e reflexão.

A Arte, nesse sentido, integra saberes culturais, históricos, tecnológicos e sociais.


3.2 Objetivos de aprendizagem

De acordo com o CBTC/SC, os estudantes devem ser capazes de:

reconhecer e produzir manifestações artísticas;

interpretar obras e práticas culturais em seus contextos;

relacionar arte às dimensões simbólicas, sociais e históricas;

aplicar elementos estéticos em situações de investigação e produção.


4. Interdisciplinaridade: Arte e Outras Áreas do Conhecimento

4.1 Arte e Linguagens

A Arte dialoga com a área de Linguagens ao aprimorar a leitura crítica de textos, imagens e narrativas e ao desenvolver habilidades de comunicação multimodal, ampliando repertórios interpretativos.


4.2 Arte e Ciências Humanas

Em conjunto com História e Sociologia, a Arte contribui para a análise de formas culturais, identidades coletivas, memórias e conflitos sociais, fortalecendo a compreensão crítica da realidade.


4.3 Arte e Ciências da Natureza

Projetos que envolvem ambiente, tecnologia e sustentabilidade integram a Arte como forma de expressão visual e simbólica de resultados, fortalecendo a compreensão de temas como meio ambiente e sociedade.


5. Desenvolvimento de Competências

A Arte, por meio de projetos integradores, contribui para:

desenvolvimento do pensamento crítico e criativo;

leitura e produção de múltiplas linguagens;

expressão e comunicação simbólica;

consciência estética;

compreensão cultural e histórica.

Essas competências se articulam diretamente aos princípios da BNCC, que coloca o estudante como agente de sua formação.


6. Perguntas que o itinerário de Artes pode fazer Segundo CBTC-SC:

Segundo o CBTC/SC, a Arte deve provocar perguntas críticas e não apenas respostas prontas.

Que sentidos esta obra produz sobre a sociedade em que vivemos?

Que relações ela estabelece com cultura, território, identidade e poder?

Como diferentes linguagens artísticas expressam conflitos, memórias e desigualdades sociais?

De que forma a Arte contribui para a formação do pensamento crítico e do protagonismo juvenil?

1 Eixo: Cultura, Identidade e Sociedade

(Convergência com Sociologia, História e Geografia)

Como a arte expressa e produz identidades culturais em Santa Catarina?

Que grupos sociais têm sua produção artística invisibilizada? Por quê?

De que forma arte, poder e ideologia se relacionam?

Como a arte reflete desigualdades sociais, raciais e de gênero?

A cultura é mercadoria ou direito?

2. Eixo: Linguagens e Comunicação

(Convergência com Linguagens, Filosofia e Tecnologia)

Como imagens, sons e performances constroem sentidos?

O que diferencia informação, propaganda e expressão artística?

Como a estética influencia opinião pública e comportamento?

O que é autoria na era da IA e das redes sociais?

Toda comunicação é neutra?

3. Eixo: Arte, Ciência e Tecnologia

(Convergência com Física, Matemática e Inovação)

Como princípios matemáticos e físicos estruturam música, imagem e design?

A tecnologia amplia ou controla a criação artística?

O que muda na arte com realidade virtual, IA e algoritmos?

A técnica determina a estética?

4. Eixo: Trabalho, Mercado e Indústria Cultural

(Convergência com Sociologia, Economia e Empreendedorismo)

O artista é trabalhador ou empreendedor?

Como funciona a indústria cultural e quem lucra com ela?

A arte pode existir fora da lógica do mercado?

Criatividade é exploração?

5. Eixo: Ética, Política e Estética

(Convergência com Filosofia e Ciências Humanas)

Existe arte sem posicionamento político?

Toda arte precisa ser “útil”?

Quem decide o que é arte?

Censura é proteção ou controle?

Arte transforma a realidade ou só a representa?

Síntese científica (importante para justificar Artes no currículo)

Na lógica da CBTC/SC, Artes não deve responder apenas a “o que produzir”, mas principalmente a:

Como se produzem sentidos, subjetividades, identidades e visões de mundo por meio das linguagens estéticas?

Ou seja: Artes não é oficina, não é recreação, não é vitrine de produto.

É campo crítico de produção de conhecimento sobre cultura, poder, linguagem, técnica e sociedade.

Sem essas perguntas, projetos integradores viram apenas atividades práticas sem densidade teórica. Com elas, Artes vira eixo estruturante da formação crítica do estudante.




Conclusão

A área de Artes no contexto do CBTC/SC desempenha papel fundamental na formação integral dos estudantes. Sua importância transcende a mera prática técnica: ela é um campo de análise, produção e crítica da cultura e da sociedade. Ao articular-se interdisciplinarmente, a Arte enriquece processos pedagógicos, estimula competências essenciais e contribui para a construção de sujeitos críticos, criativos e culturalmente conscientes.


Referências 

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

GADOTTI, Moacir. Educação, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 1994.

MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000.

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília: MEC, 2017.

SANTA CATARINA. Currículo Base do Território Catarinense – CBTC. Florianópolis: SED/SC, 2019.














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