Sistema Radicular da Leucena (Leucaena leucocephala): Implicações para Arborização Urbana e Planejamento Ambiental
A árvore leucena (Leucaena leucocephala) é uma espécie arbórea amplamente utilizada em ambientes urbanos e rurais devido ao seu rápido crescimento e capacidade de adaptação a diferentes condições edafoclimáticas. Contudo, seu sistema radicular agressivo, caracterizado por raízes pivotantes profundas e extensas ramificações laterais, pode gerar impactos significativos sobre estruturas urbanas, calçadas e sistemas de drenagem. Este artigo tem como objetivo analisar as características morfofuncionais do sistema radicular da leucena, destacando suas dimensões verticais e horizontais, bem como discutir suas implicações para o planejamento da arborização urbana. A pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica especializada, enfatizando a necessidade de manejo adequado da espécie em espaços públicos.
Palavras-chave: Leucena. Sistema radicular. Arborização urbana. Raiz pivotante. Planejamento ambiental.
1 Introdução
A arborização urbana desempenha papel fundamental na melhoria da qualidade ambiental, contribuindo para o conforto térmico, redução da poluição atmosférica e promoção do bem-estar social (SILVA; PAIVA, 2019). Entre as espécies frequentemente utilizadas destaca-se a leucena (Leucaena leucocephala), uma leguminosa arbórea de rápido crescimento e elevada resistência a condições adversas.
Entretanto, apesar de seus benefícios ecológicos, a leucena apresenta um sistema radicular altamente desenvolvido, capaz de causar danos estruturais quando plantada em locais inadequados. Assim, torna-se relevante compreender a morfologia de suas raízes e suas implicações para o planejamento urbano e ambiental.
2 Desenvolvimento
2.1 Características botânicas da leucena
A Leucaena leucocephala pertence à família Fabaceae e é originária da América Central, sendo amplamente disseminada em regiões tropicais e subtropicais. Possui folhas compostas bipinadas, flores esbranquiçadas em inflorescências globosas e frutos em forma de vagens alongadas (LORENZI, 2016).
A espécie pode atingir entre 5 e 15 metros de altura, dependendo das condições ambientais, apresentando crescimento rápido e elevada capacidade de rebrotamento.
Flores brancas
Flores rosa
2.2 Sistema radicular
O sistema radicular da leucena é do tipo pivotante, caracterizado por uma raiz principal profunda, responsável pela ancoragem da planta e pela absorção de água em camadas profundas do solo (RAVEN; EVERT; EICHHORN, 2014).
Profundidade vertical:
A raiz principal pode atingir entre 2 e 5 metros, podendo alcançar até 8 metros em solos profundos e bem drenados.
Expansão horizontal:
As raízes laterais podem se estender entre 6 e 12 metros, dependendo do diâmetro da copa e da disponibilidade de recursos no solo.
Esse padrão radicular garante alta resistência à seca, mas implica intensa competição por água e nutrientes com outras plantas e com infraestruturas urbanas.
2.3 Implicações para arborização urbana
Devido à agressividade do sistema radicular, a leucena pode provocar:
Elevação de calçadas e pavimentos;
Danos a tubulações superficiais;
Comprometimento de fundações rasas.
Segundo Milano e Dalcin (2000), espécies com raízes profundas e extensas devem ser plantadas apenas em áreas amplas, afastadas de edificações. Para a leucena, recomenda-se distância mínima de 5 metros de estruturas urbanas, a fim de evitar prejuízos físicos e econômicos.
Além disso, a espécie é considerada potencialmente invasora, podendo alterar a dinâmica ecológica local e reduzir a biodiversidade vegetal.
3 Conclusão
A leucena (Leucaena leucocephala) apresenta um sistema radicular robusto, profundo e lateralmente expansivo, que confere vantagens adaptativas à espécie, especialmente em ambientes com baixa disponibilidade hídrica.
Fonte da foto: MACHADO, Júlio César Passig, 2026.
Contudo, essas mesmas características tornam seu uso problemático em áreas urbanas restritas.
Dessa forma, conclui-se que, embora seja uma árvore de rápido crescimento e bom potencial ecológico, a leucena exige planejamento criterioso quanto ao local de plantio, sendo mais indicada para áreas abertas, rurais ou de recuperação ambiental, e não para calçadas estreitas ou proximidade de edificações.
Qual é o nome popular e científico desta árvore de jardim
Com base nas fotos das folhas e, principalmente, das vagens (os frutos marrons na sacola e pendurados nos galhos), esta é uma:
Nome Popular: Leucena (ou Leucena-verdadeira) Nome Científico: Leucaena leucocephala
Por que é esta árvore?
As Vagens: O detalhe mais revelador são as vagens que você mostrou na sacola branca. Elas são achatadas, marrons, pontiagudas e nascem em grandes cachos ("pencas") que ficam pendurados nos galhos, exatamente como na primeira foto.
As Folhas: Ela possui folhas "bipinadas" (parecem penas ou folhas de samambaia), que são bem finas e delicadas.
Curiosidades e Alerta:
Embora pareça uma árvore de jardim comum, a Leucena é considerada uma espécie invasora muito agressiva no Brasil. Ela cresce muito rápido, produz sementes em enorme quantidade (essas vagens) e consegue dominar terrenos baldios e áreas de mata nativa, impedindo o crescimento de outras árvores. Por isso, é muito comum vê-la "nascendo sozinha" em calçadas e terrenos urbanos.
Origem deste árvore
A Leucena (Leucaena leucocephala) tem uma história interessante de "viagem" pelo mundo até chegar ao Brasil.
1. Origem Geográfica
Ela é nativa da América Central e do México.
Nas civilizações antigas (como os Maias e Zapotecas), ela já era usada para alimentação e sombreamento.
O nome do estado de Oaxaca, no México, deriva da palavra nahuatl huaxyacac, que significa "o lugar onde a leucena cresce".
2. Chegada ao Brasil
Ela não é uma árvore nativa da nossa terra. Foi introduzida por aqui principalmente na década de 1940, com um objetivo muito específico: servir de alimento para o gado.
A "Árvore Milagrosa": Na época, ela foi apelidada assim porque cresce muito rápido, resiste a secas severas e suas folhas são riquíssimas em proteínas para os animais.
O Problema: Como não encontrou predadores naturais por aqui e produz milhares de sementes que germinam facilmente, ela "fugiu" dos pastos e se espalhou por cidades e matas, tornando-se uma praga urbana.
3. Disseminação Global
Os espanhóis também tiveram um papel enorme na história dessa árvore. No século XVI, eles levaram sementes do México para as Filipinas (usando os galeões que cruzavam o Pacífico). De lá, ela se espalhou por toda a Ásia, África e ilhas do Pacífico.
Curiosidade: Hoje, ela é listada como uma das 100 piores espécies invasoras do mundo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).
Referências
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. 6. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2016.
MILANO, M. S.; DALCIN, E. Arborização de vias públicas. Rio de Janeiro: Light, 2000.
RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia vegetal. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.
SILVA, R. A.; PAIVA, H. N. Arborização urbana: aspectos ecológicos e sociais. Revista Brasileira de Geografia Física, Recife, v. 12, n. 3, p. 875–889, 2019.



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