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Tendência do Dólar (USD/BRL): Análise Atual, Projeções e Determinantes Econômicos (09/02/2026)

Este estudo analisa a cotação do dólar em 09 de fevereiro de 2026, e suas tendências para os próximos dias, meses e anos, considerando fatores macroeconômicos, expectativas de mercado e projeções de instituições financeiras. O artigo discute ainda os principais determinantes cambiais, baseando-se em dados recentes de mercado, projeções do Relatório Focus, análises de bancos globais e literatura acadêmica sobre previsão de taxas de câmbio.


1. Introdução

A taxa de câmbio entre o dólar americano (USD) e o real brasileiro (BRL) é influenciada por múltiplos fatores, incluindo políticas monetárias, diferenciais de juros, expectativas inflacionárias, balanço de pagamentos e condições econômicas globais. A volatilidade cambial tem grande impacto em decisões de investimento, comércio exterior e política econômica.

Este artigo visa sintetizar evidências e projeções para a cotação do dólar em 09/02/2026 e discutir possíveis tendências futuras.


2. Cotação Atual (09/02/2026)

De acordo com dados atualizados, a cotação do dólar à vista comercial situa-se em aproximadamente R$ 5,26 por 1 USD no início de fevereiro de 2026, com variações diárias pequenas refletindo liquidez e operação do mercado futuro em B3. � the Economy Forecast Agency · 1

Dados recentes

Indicador

Valor aproximado

Dólar comercial (USD/BRL)

~R$ 5,26

Faixa de negociação recente

R$ 5,15 – 5,31 (previsão para 09/02/2026)

Dólar futuro (março) -R$ 5,255

Esses valores refletem estabilidade relativa no curto prazo, com leve tendência de queda moderada no início de fevereiro projectada pelos modelos de previsão de mercado. � The Economy Forecast Agency · 1


3. Determinantes da Taxa de Câmbio

A literatura econômica identifica diversos fatores que influenciam o comportamento do câmbio:

Diferencial de Juros: Países com juros mais altos tendem a atrair fluxos de capital, fortalecendo sua moeda doméstica. � investopedia

Expectativas de Política Monetária: Se o Banco Central reduz taxas, pode haver pressão para desvalorização cambial, e vice-versa.

Fluxo de Capitais e Risco País: Alta percepção de risco reduz os investimentos externos, podendo enfraquecer o real.

Condições Globais: Eventos geopolíticos e incertezas podem reforçar a demanda por dólar (safe haven). � Reuters

Pesquisas acadêmicas modernas também usam modelos econométricos e técnicas de aprendizado de máquina para melhorar as previsões de taxas de câmbio, integrando variáveis financeiras e não estruturadas (ex.: notícias e sentimento de mercado). � arXiv


4. Tendência de Curto Prazo (Próximos Dias) – Fevereiro de 2026

A previsão de curto prazo (dias a semanas) indica:

leve pressão de baixa no início de fevereiro, com possíveis movimentos de R$ 5,15 a R$ 5,31 por USD. �

The Economy Forecast Agency

volatilidade moderada, influenciada por decisões de política monetária e dados macroeconômicos.

A tendência de curto prazo pode ser considerada lateral com inclinação para queda, dependendo da manutenção de juros e fluxo de capitais.


5. Tendência de Médio Prazo (Próximos Meses)

As projeções de mercado, como as do Relatório Focus, apontam para estimativas de que a taxa de câmbio do dólar pode manter-se elevada em torno de R$ 5,90–6,15 ao longo de 2026. � IPECE

Projeções de instituições financeiras

Focus (mercado brasileiro): cotação em média próxima a R$ 6,00 no fim de 2026. � Investing.com Brasil

Bradesco e Santander: projeções que variam de R$ 6,00 a R$ 6,15 para o final de 2026. � IPECE

Estas projeções pressupõem condições macroeconômicas estáveis, com algum nível de desvalorização do real ao longo do ano.


6. Tendência de Longo Prazo (2027 e além)

Alguns bancos globais, como o Citi, sugerem que o dólar pode recuperar força no médio a longo prazo como moeda de reserva global, com projeção de cerca de R$ 5,49 em 2026 e valorização adicional em 2027. �

Bloomberg Línea Brasil

Entretanto, projeções de longo prazo têm incertezas significativas, pois dependem de eventos macroeconômicos globais, decisões de política monetária e condições comerciais internacionais.


7. Discussão

A tendência do dólar em relação ao real brasileiro observa-se:

Curto prazo: tendência lateral/baixa moderada, reflexo de expectativas de juros e fluxo de capital.

Médio prazo: projeções sugerem leve alta ou manutenção de níveis elevados, influenciada por fatores globais e domésticos.

Longo prazo: variações dependentes de políticas monetárias dos EUA e Brasil, e do papel do dólar como moeda de reserva.

Vale notar que projeções do mercado (Como Focus) são médias e não garantem resultados futuros.


8. Impacto da Política Monetária na Taxa de Câmbio: O Caso da Redução da Selic

A política monetária exerce influência direta sobre a taxa de câmbio por meio do diferencial de juros entre economias. Segundo a teoria da paridade descoberta da taxa de juros (Uncovered Interest Parity – UIP), reduções nas taxas de juros domésticas tendem a provocar desvalorização da moeda local, uma vez que diminuem a atratividade dos ativos financeiros para investidores estrangeiros (Krugman, Obstfeld & Melitz, 2018). 

No caso brasileiro, a Selic desempenha papel central na dinâmica cambial, especialmente devido ao elevado grau de integração do país aos fluxos internacionais de capitais de curto prazo.

Em um cenário de queda da Selic de 15% para 12,25% em 2026 e posteriormente para 10,50% em 2027, espera-se uma redução significativa do diferencial de juros entre Brasil e economias centrais, como os Estados Unidos. 

Tal movimento tende a reduzir as operações de carry trade, caracterizadas pela entrada de capitais estrangeiros atraídos por juros elevados, o que gera menor oferta de dólares no mercado doméstico (Bresser-Pereira, 2019). Como consequência, ocorre pressão estrutural de alta sobre a taxa de câmbio, implicando desvalorização do real frente ao dólar.

Estudos empíricos para economias emergentes indicam que ciclos de afrouxamento monetário estão associados, em média, a episódios de depreciação cambial, especialmente quando não acompanhados por crescimento econômico robusto ou melhora no equilíbrio fiscal (Calvo, Leiderman & Reinhart, 1996; IMF, 2023). 

No Brasil, análises do Banco Central mostram que variações na Selic afetam diretamente os fluxos de capitais financeiros e, indiretamente, a taxa de câmbio, sendo este um dos principais canais de transmissão da política monetária (BCB, 2022).

Portanto, no contexto projetado de queda contínua da Selic até 2027, a tendência macroeconômica dominante é de valorização do dólar frente ao real, a menos que tal movimento seja compensado por ganhos expressivos de produtividade, aumento das exportações ou forte consolidação fiscal. 

Assim, a política monetária expansionista, embora positiva para estimular a atividade econômica interna, tende a gerar efeitos colaterais sobre o câmbio, com impactos relevantes sobre inflação, balanço de pagamentos e preços de bens importados.


9 Efeitos da Redução da Selic e da Desvalorização Cambial sobre a Inflação

A inflação é fortemente influenciada tanto pela política monetária quanto pela taxa de câmbio, especialmente em economias abertas e dependentes de insumos importados, como o Brasil. 

A redução da taxa Selic, ao baratear o crédito e estimular o consumo e o investimento, tende a aumentar a demanda agregada, o que pode gerar pressões inflacionárias caso a capacidade produtiva da economia não acompanhe esse crescimento (Mishkin, 2019). 

Assim, ciclos de afrouxamento monetário, embora positivos para a atividade econômica, apresentam riscos inflacionários no médio prazo.

Adicionalmente, a desvalorização do real frente ao dólar intensifica a inflação por meio do chamado pass-through cambial, mecanismo pelo qual a alta da taxa de câmbio é transmitida aos preços internos, sobretudo de combustíveis, fertilizantes, alimentos, máquinas e bens industriais importados (Goldfajn & Werlang, 2000). 

Estudos empíricos indicam que, no Brasil, uma desvalorização de 10% do real pode gerar impacto inflacionário entre 0,4% e 1,0%, dependendo do regime macroeconômico e da credibilidade da política monetária (BCB, 2021).

No cenário projetado de queda da Selic de 15% para 10,5% entre 2026 e 2027, associada à tendência de valorização do dólar, espera-se uma combinação de dois vetores inflacionários: (i) aumento da demanda interna e (ii) elevação dos custos de produção via encarecimento das importações. 

Tal combinação pode resultar em inflação persistentemente acima da meta, caso não haja compensação por ganhos de produtividade, crescimento da oferta ou controle fiscal (Blanchard, 2017).

Portanto, a redução dos juros, quando acompanhada por desvalorização cambial, tende a produzir um ambiente macroeconômico de pressão inflacionária estrutural, especialmente em economias emergentes. 

A estabilidade dos preços dependerá, nesse contexto, da capacidade do Estado em manter credibilidade fiscal, do Banco Central em ancorar expectativas inflacionárias e do setor produtivo em ampliar a oferta de bens e serviços. Sem esses fatores, o efeito combinado de juros baixos e dólar elevado pode levar a um ciclo de inflação de custos e demanda simultaneamente.



Conclusão

A análise sugere que, embora o dólar mostre sinais de estabilidade no curto prazo, as projeções apontam para níveis próximos ou acima de R$ 6,00 ao longo de 2026, com possibilidades de fortalecimento do dólar dependendo de eventos macroeconômicos globais. A tendência é complexa e influenciada por múltiplos fatores, exigindo acompanhamento contínuo de indicadores econômicos.


9. Referências Bibliográficas

BANCO CENTRAL DO BRASIL (BCB).

Relatório de Inflação. Brasília: Banco Central do Brasil, 2022.

BRESSER-PEREIRA, L. C.

Macroeconomia desenvolvimentista: teoria e política econômica do novo desenvolvimentismo. São Paulo: Editora FGV, 2019.

CALVO, G.; LEIDERMAN, L.; REINHART, C.

Inflows of capital to developing countries in the 1990s. Journal of Economic Perspectives, v. 10, n. 2, p. 123–139, 1996.

INTERNATIONAL MONETARY FUND (IMF).

World Economic Outlook 2023: Navigating Global Divergences. Washington, DC: IMF, 2023.

KRUGMAN, P.; OBSTFELD, M.; MELITZ, M.

Economia Internacional: teoria e política. 10. ed. São Paulo: Pearson, 2018.

MISHKIN, F. S.

The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 12. ed. New York: Pearson, 2019.

Notícias e relatórios de mercado

Relatório de cotação e previsão de dólar: USDForecast.com. �

The Economy Forecast Agency

Dólar comercial e futuro no mercado brasileiro: Mercado Hoje. �

Mercado Hoje

Relatório Focus – projeções cambiais. �

Investing.com Brasil

Projeções de bancos sobre taxa de câmbio 2026. �

IPECE

Análise de fortalecimento/dólar global: Reuters. �

Reuters

Estudo de projeções macroglobais e dólar como reserva. �

Bloomberg Línea Brasil

Literatura acadêmica sobre previsão cambial

Ding et al. (2024), Forecasting EUR-USD Exchange Rate Using AI and Data Fusion. �

BANCO CENTRAL DO BRASIL (BCB).

Relatório de Inflação. Brasília: Banco Central do Brasil, 2021.

BLANCHARD, O.

Macroeconomics. 7. ed. Boston: Pearson, 2017.

GOLDFAJN, I.; WERLANG, S. R.

The pass-through from depreciation to inflation: a panel study. Banco Central do Brasil Working Paper, n. 5, 2000.

INTERNATIONAL MONETARY FUND (IMF).

World Economic Outlook: Inflation and Monetary Policy. Washington, DC: IMF, 2022.

MISHKIN, F. S.

The Economics of Money, Banking and Financial Markets. 12. ed. New York: Pearson, 2019.

ROMER, D.

Advanced Macroeconomics. 5. ed. New York: McGraw-Hill, 2019.

TAYLOR, J. B.

Discretion versus policy rules in practice. Carnegie-Rochester Conference Series on Public Policy, v. 39, p. 195–214, 1993.






















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