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PRODUÇÃO DE MUDAS DE MORANGO (Fragaria × ananassa) POR SEMENTES NO LITORAL NORTE CATARINENSE: ASPECTOS AGROCLIMÁTICOS, EDÁFICOS E DE MANEJO

O cultivo do morangueiro (Fragaria × ananassa Duch.) apresenta grande relevância econômica para a agricultura familiar brasileira. Este estudo analisa a produção de mudas por sementes, considerando as condições edafoclimáticas de São Francisco do Sul (SC), com enfoque na época de plantio, tipo de solo e manejo agronômico. A metodologia baseia-se em revisão bibliográfica de literatura técnico-científica. Os resultados indicam que, embora a propagação por sementes seja possível, apresenta limitações genéticas e produtivas quando comparada à propagação vegetativa. O cultivo é favorecido em temperaturas entre 13°C e 26°C, com plantio recomendado no outono-inverno, solos bem drenados e manejo intensivo de irrigação e sanidade vegetal.

Palavras-chave: morango, sementes, manejo agrícola, clima subtropical, Santa Catarina.


1. INTRODUÇÃO

O morangueiro pertence à família Rosaceae e é amplamente cultivado em regiões de clima subtropical e temperado. No Brasil, sua produção concentra-se no Sul e Sudeste, incluindo o estado de Santa Catarina, onde as condições climáticas favorecem o desenvolvimento da cultura �.

Agron Agronegócios Online

A propagação comercial é predominantemente realizada por estolhos, devido à maior uniformidade genética e produtividade. Entretanto, a produção por sementes constitui alternativa relevante para fins experimentais, educacionais e agroecológicos.


2. MATERIAL E MÉTODOS

O presente estudo caracteriza-se como uma revisão bibliográfica de natureza qualitativa, baseada em artigos científicos, publicações técnicas e dados agronômicos sobre o cultivo do morangueiro, com ênfase em condições subtropicais úmidas.


3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 Produção de mudas por sementes

As sementes do morango (aquênios) apresentam dormência fisiológica, exigindo tratamentos para germinação eficiente.

Procedimentos técnicos:

Extração manual das sementes do fruto

Secagem à sombra

Estratificação a frio (5–10°C por 7–15 dias)

Semeadura superficial (≈ 0,5 cm) �

Tecnologia & Benefícios

A germinação ocorre entre 15 e 30 dias sob temperatura controlada e alta umidade. Contudo, a variabilidade genética resulta em plantas heterogêneas, limitando o uso comercial.


3.2 Condições climáticas (São Francisco do Sul – SC)

O município apresenta clima subtropical úmido (Cfa), caracterizado por:

alta umidade

verões quentes

invernos amenos

O morangueiro apresenta melhor desenvolvimento em temperaturas entre 13°C e 26°C Tecseed · 1

Época recomendada:

Produção de mudas: abril a junho

Transplante: maio a agosto

Produção: inverno e primavera

Temperaturas superiores a 30°C comprometem a floração e favorecem doenças �ESALQ Jr. | Consultoria Agronômica


3.3 Tipo de solo e preparo

O sucesso do cultivo depende diretamente das propriedades do solo.

Características ideais:

textura: areno-argilosa

pH: 5,5 a 6,5 �Tecseed

alta matéria orgânica

boa drenagem

Preparo do solo:

análise química prévia

calagem quando necessário

incorporação de composto orgânico

Solos mal drenados favorecem doenças radiculares e reduzem a produtividade.


3.4 Manejo agronômico

3.4.1 Plantio

Canteiros elevados (20–30 cm)

Espaçamento médio: 30–40 cm

3.4.2 Irrigação

Frequente e controlada

Evitar encharcamento (sensibilidade radicular) �Tecseed

3.4.3 Cobertura do solo (mulching)

Plástico ou palhada

Reduz evaporação e doenças

3.4.4 Nutrição

Adubação equilibrada (NPK)

Ênfase em potássio (frutificação)

3.4.5 Controle fitossanitário

Principais problemas:

doenças: oídio, antracnose

pragas: ácaros e tripes �tecseed

Manejo recomendado:

controle biológico

biofertilizantes

redução da umidade foliar

3.5 Sistemas de cultivo

Estudos indicam maior eficiência em sistemas protegidos e sem solo, com fertirrigação controlada, aumentando produtividade e qualidade �.


Controle biológico no cultivo de morango (Fragaria × ananassa) em sistemas agroecológicos

O controle biológico no cultivo do morango constitui uma estratégia fundamental para sistemas agroecológicos, visando à redução do uso de insumos químicos e à promoção do equilíbrio ecológico. Essa abordagem baseia-se na utilização de microrganismos antagonistas, inimigos naturais e práticas de manejo que favorecem a biodiversidade funcional no agroecossistema.

Entre os principais agentes utilizados destacam-se bactérias do gênero Bacillus, como Bacillus subtilis e Bacillus amyloliquefaciens, que atuam no controle de patógenos fúngicos, especialmente Botrytis cinerea, responsável pelo mofo cinzento, uma das doenças mais importantes do morangueiro. Estudos demonstram que esses microrganismos apresentam eficiência significativa na redução da incidência da doença, constituindo alternativa viável aos fungicidas químicos �.DENTOTO

Além dos microrganismos, o manejo agroecológico inclui o uso de preparados vegetais, como extratos de plantas (alho, neem e cavalinha), que apresentam ação antifúngica e inseticida natural. Pesquisas indicam que o uso de preparados à base de cavalinha pode contribuir para o controle de doenças foliares, como a mancha causada por Mycosphaerella fragariae, sendo uma alternativa eficiente em sistemas orgânicos �.portal de Periódicos UnB

Outro componente essencial é o controle biológico conservativo, que consiste na manutenção de habitats favoráveis para inimigos naturais, como joaninhas, crisopídeos e parasitoides. A diversificação de culturas, o uso de plantas atrativas e a adoção de faixas floridas aumentam a presença desses organismos, reduzindo naturalmente a população de pragas �.cadernos.aba-agroecologia.org.br

O manejo integrado do sistema também envolve práticas culturais, como:

rotação de culturas

uso de cobertura do solo (mulching)

manejo da irrigação e ventilação

Essas práticas reduzem a umidade excessiva e dificultam o desenvolvimento de patógenos, além de fortalecerem a resistência das plantas.

Dessa forma, o controle biológico no morango, quando associado a práticas agroecológicas, promove não apenas a sanidade da cultura, mas também a sustentabilidade ambiental e a produção de alimentos mais seguros.

O controle biológico no morango utiliza microrganismos, extratos vegetais e inimigos naturais para reduzir pragas e doenças.

A integração dessas práticas com manejo agroecológico aumenta a eficiência produtiva e ambiental.

Assim, constitui alternativa sustentável ao uso de agrotóxicos na agricultura moderna.



. CONCLUSÃO

A produção de mudas de morango por sementes é tecnicamente viável, porém apresenta limitações agronômicas devido à variabilidade genética. No litoral norte catarinense, o cultivo deve ser realizado preferencialmente no período de temperaturas amenas (outono-inverno), com solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. O manejo adequado da irrigação, nutrição e sanidade vegetal é essencial para o sucesso produtivo.


📚 REFERÊNCIAS (ABNT 2023)

AGRON. Como plantar morango. Disponível em: https://agron.com.br⁠�. Acesso em: 31 mar. 2026. �

Agron Agronegócios Online

ESALQ JR. Estação do ano e a produtividade do morango. Disponível em: https://www.esalqjuniorconsultoria.com⁠�. Acesso em: 31 mar. 2026. �

ESALQ Jr. | Consultoria Agronômica

TECNOLOGIA NO CAMPO. Plantio de morango. Disponível em: https://tecnologianocampo.com.br⁠�. Acesso em: 31 mar. 2026. �

Tecnologia & Benefícios

TECSEED. Morango: cultura, manejo e produtividade. Disponível em: https://tecseed.com.br⁠�. Acesso em: 31 mar. 2026. �

Tecseed

GODOI, R. S. et al. Produção e qualidade do morangueiro em sistemas sem solo. Ciência Rural, UFSM, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br⁠�. Acesso em: 31 mar. 2026. �

SciELO

VALMORBIDA, J. et al. Produção de morango em substrato com fertirrigação. Irriga, 2022. Disponível em: https://revistas.fca.unesp.br⁠�. Acesso em: 31 mar. 2026.


BERTALOT, M. J. A. et al. Controle alternativo de Mycosphaerella fragariae na cultura de morango orgânico. Revista Brasileira de Agroecologia, 2012. �

Portal de Periódicos UnB

MINUZZO, P. et al. Eficácia do controle biológico de mofo cinzento em morangos. Revista Eletrônica Científica da UERGS, 2020. �

DENTOTO

HELING, A. L.; KUHN, O. J.; STANGARLIN, J. R. Controle biológico de doenças no morangueiro. Scientia Agraria Paranaensis, 2014. �

e-revista.unioeste.br

CHAGAS, F. et al. Controle biológico em sistema orgânico de produção. Ciência e Natura, 2016. �

Portal de Periódicos UFSM

BARILLI, D. R. et al. Controle biológico conservativo de pragas em agroecossistemas. Cadernos de Agroecologia, 2024. �






Anexo A


PLANO SEQUENCIAL – PRODUÇÃO DE MUDAS (MORANGO E CEREJA)

Escola: EEB Claurinice Vieira Caldeira

Professor: Osni Wagner

Ano: 6º ano do Ensino Fundamental

Duração: 6 a 7 aulas (50 min cada)

Área: Geografia / Ciências

🎯 1. JUSTIFICATIVA (BASE CIENTÍFICA)

A produção de mudas por sementes permite compreender processos fundamentais da biologia vegetal, como dormência, germinação e crescimento. A técnica de estratificação a frio é essencial para ativar sementes que necessitam simular o inverno, como morango e cereja.

Além disso, o uso de materiais reutilizados (potes e latas de alumínio) promove educação ambiental, sustentabilidade e consciência sobre reciclagem.

A aprendizagem prática contribui para o desenvolvimento cognitivo e socioambiental dos estudantes.

🎯 2. OBJETIVO GERAL

Compreender os processos de germinação e produção de mudas, aplicando técnicas científicas e práticas sustentáveis.

🎯 3. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Entender o conceito de dormência de sementes

Aplicar técnicas de quebra de dormência (frio e secagem)

Produzir mudas de morango e cereja

Desenvolver práticas de reutilização de materiais

Relacionar solo, água, luz e temperatura ao crescimento vegetal

Incentivar atitudes sustentáveis

📚 4. HABILIDADES (BNCC)

(EF06GE05) Relação clima–solo–vegetação

(EF06GE10) Uso do solo e sustentabilidade

(EF06CI06) Reprodução e ciclo de vida das plantas

(EF06CI07) Investigação de fatores da germinação

🧠 5. CONTEÚDOS

Germinação de sementes

Dormência e estratificação

Agricultura e sustentabilidade

Reciclagem e reaproveitamento

Solo e nutrientes

🧪 6. METODOLOGIA (SEQUÊNCIA DIDÁTICA)

📍 Aula 1 – Introdução científica

Pergunta: “Como nasce uma planta?”

Explicação:

sementes

germinação

dormência

📍 Aula 2 – Produção de sementes de morango

Retirada das sementes do fruto

Secagem ao sol por 4 dias

👉 Explicação científica:

redução da umidade

conservação da semente

📍 Aula 3 – Quebra de dormência (morango)

Colocar sementes na geladeira (30 dias)

👉 Explicar:

estratificação

simulação do inverno

📍 Aula 4 – Sementes de cereja

Utilizar sementes que ficaram 60 dias na geladeira

👉 Comparação:

morango (dormência curta)

cereja (dormência longa)

📍 Aula 5 – Oficina sustentável (PRÁTICA)

Atividades:

Preparar potes reutilizados (garrafas, copos, embalagens)

Fazer furos para drenagem

Preparar substrato:

terra vegetal

composto orgânico

areia

Plantio:

sementes de morango e cereja

irrigação leve

📍 Aula 6 – Identificação e educação ambiental

Produção de etiquetas com latas de alumínio recicladas

Escrever nomes das frutas

Fixar nos potes

👉 Trabalhar:

reciclagem

redução de resíduos

📍 Aula 7 – Acompanhamento e replantio

Observação do crescimento

Registro no caderno

Transplante para horta escolar quando atingirem tamanho ideal

🌱 7. RECURSOS DIDÁTICOS

Morangos

Sementes de cereja

Geladeira

Potes recicláveis

Latas de alumínio

Terra e composto orgânico

Água

Tesoura e caneta permanente

📊 8. AVALIAÇÃO (ESPECIALIZADA)

Avaliação formativa:

Participação nas atividades

Envolvimento na oficina

Observação do cuidado com as plantas

Avaliação somativa:

Relatório da experiência

Cartaz sobre germinação

Critérios:

Compreensão científica

Aplicação prática

Criatividade (uso de recicláveis)

Consciência ambiental

🌍 9. RESULTADOS ESPERADOS

Entendimento do ciclo de vida vegetal

Desenvolvimento da consciência ecológica

Aprendizagem prática e significativa

Valorização da sustentabilidade

📚 10. REFERÊNCIAS (ABNT 2023)

BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018.

RAVEN, P. H.; EVERT, R. F.; EICHHORN, S. E. Biologia Vegetal. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014.

TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.

EMBRAPA. Produção de mudas e tecnologia de sementes. Brasília: Embrapa, 2020.

CARVALHO, N. M.; NAKAGAWA, J. Sementes: ciência, tecnologia e produção. Jaboticabal: FUNEP, 2012.










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