Abelhas sem ferrão associadas à floração da aroeira (Schinus terebinthifolia): importância ecológica e potencial para a meliponicultura
A Schinus terebinthifolia, conhecida como aroeira-vermelha ou pimenteira-rosa, é uma espécie nativa amplamente distribuída em diferentes biomas brasileiros, com grande importância para a manutenção de polinizadores. Entre os principais visitantes florais encontram-se as abelhas da tribo Meliponini, popularmente chamadas de abelhas sem ferrão. O objetivo deste artigo é revisar a literatura científica sobre a relação entre a floração da aroeira e a atividade de abelhas nativas sem ferrão, destacando sua relevância para a conservação da biodiversidade e para a meliponicultura. Os resultados indicam que as flores da aroeira fornecem néctar e pólen durante grande parte do ano, constituindo recurso alimentar estratégico para espécies como jataí, mandaguari, tubuna e uruçu. Conclui-se que a introdução dessa espécie em sistemas agroflorestais e meliponários pode favorecer a sustentabilidade da produção de mel e a manutenção dos serviços ecossistêmicos de polinização.
Palavras-chave: Meliponicultura; polinização; plantas melíferas; Mata Atlântica; biodiversidade.
1 Introdução
As abelhas sem ferrão pertencem à tribo Meliponini, dentro da família Apidae, e constituem um dos grupos mais importantes de polinizadores das regiões tropicais. Essas abelhas apresentam comportamento social complexo e dependem diretamente dos recursos florais para alimentação e manutenção da colônia. �A.B.E.L.H.A.
Entre os recursos utilizados por esses insetos destacam-se o néctar, o pólen e as resinas vegetais, fundamentais para a produção de mel, alimentação das larvas e construção dos ninhos. Em ecossistemas tropicais, muitas espécies vegetais dependem da atividade desses polinizadores para garantir a reprodução e a produção de sementes. �portal.ifs.ifsuldeminas.edu.br
Nesse contexto, algumas plantas nativas possuem grande importância meliponícola por fornecerem abundante recurso floral ao longo do ano. A aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolia) destaca-se entre essas espécies por apresentar floração prolongada e ampla distribuição no Brasil. �A.B.E.L.H.A.
2 A espécie vegetal: aroeira (Schinus terebinthifolia)
A aroeira-vermelha pertence à família Anacardiaceae e ocorre naturalmente em diferentes biomas brasileiros, incluindo Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga e Pampa. Trata-se de uma árvore de médio porte que produz inflorescências com numerosas flores pequenas, altamente atrativas para insetos polinizadores. �A.B.E.L.H.A.
A floração dessa espécie pode ocorrer durante vários meses do ano, oferecendo néctar e pólen, recursos essenciais para as abelhas. Além disso, a planta também fornece resinas utilizadas pelas abelhas sem ferrão na construção e defesa de seus ninhos. �A.B.E.L.H.A.
Devido à elevada produção de flores e ao fácil estabelecimento em diferentes ambientes, a aroeira é frequentemente recomendada em projetos de restauração ecológica e implantação de meliponários.
3 Abelhas sem ferrão associadas à aroeira
Diversas espécies de Meliponini utilizam a aroeira como fonte de recursos florais. Entre as espécies frequentemente observadas visitando suas flores destacam-se:
Tetragonisca angustula
Melipona quadrifasciata
Scaptotrigona bipunctata
Plebeia droryana
Melipona scutellaris
Essas espécies apresentam comportamento generalista, visitando uma grande diversidade de flores ao longo do ano. Estudos palinológicos mostram que o pólen coletado pelas abelhas pode ser utilizado para identificar as plantas exploradas pelas colônias, demonstrando a importância de diferentes espécies vegetais na dieta desses insetos. �Revista Eletrônica
A diversidade de plantas visitadas indica que as abelhas sem ferrão desempenham papel central na polinização de ecossistemas naturais e agrícolas.
4 Importância ecológica e meliponícola
As abelhas sem ferrão são consideradas importantes agentes de polinização, responsáveis pela reprodução de inúmeras espécies vegetais e pela manutenção da biodiversidade. �A.B.E.L.H.A.
Além da relevância ecológica, esses insetos possuem grande valor econômico e cultural, especialmente em sistemas de meliponicultura, atividade que envolve a criação racional de abelhas nativas para produção de mel, própolis e serviços de polinização.
A presença de plantas melíferas como a aroeira favorece o desenvolvimento das colônias, pois garante disponibilidade de alimento durante diferentes períodos do ano.
5 Considerações finais
A aroeira (Schinus terebinthifolia) apresenta grande potencial meliponícola por fornecer recursos florais abundantes para diversas espécies de abelhas sem ferrão. A presença dessa planta em áreas naturais, sistemas agroflorestais e meliponários contribui para o fortalecimento das colônias e para a conservação dos polinizadores.
Dessa forma, recomenda-se a inclusão dessa espécie em projetos de restauração ecológica, paisagismo ecológico e planejamento de áreas destinadas à criação de abelhas nativas.
Referências
A.B.E.L.H.A. Associação Brasileira de Estudos das Abelhas. Aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolia). Disponível em: https://abelha.org.br/aroeira-vermelha/�. Acesso em: 15 mar. 2026.
BENTO, D. S.; DOREA, M. C. Pólen explorado por abelhas sem ferrão (Melipona scutellaris) em área urbana na Bahia. Anais do Seminário de Iniciação Científica, 2023.
A.B.E.L.H.A. Abelhas sem ferrão e sua importância para a biodiversidade. Disponível em: https://abelha.org.br/abelhas-sem-ferrao/�. Acesso em: 15 mar. 2026.
INSTITUTO FEDERAL DO SUL DE MINAS GERAIS. Meliponicultura: criação de abelhas nativas sem ferrão. 2023. Disponível em: https://portal.ifsuldeminas.edu.br�. Acesso em: 15 mar. 2026. �
Calendário anual com plantas da Mata Atlântica do norte de Santa Catarina importantes para abelhas sem ferrão (ASF)
A Mata Atlântica é um dos biomas mais biodiversos do planeta e abriga grande diversidade de plantas e polinizadores. As abelhas sem ferrão (Meliponini) desempenham papel fundamental na manutenção desse ecossistema, atuando na polinização de grande parte das espécies vegetais. Estudos indicam que até 90% das plantas tropicais dependem de polinizadores, sendo as abelhas os principais agentes desse processo ecológico. �portal de notícias Brasil em Folhas · 1
No Brasil existem mais de 300 espécies de abelhas sem ferrão, muitas associadas à Mata Atlântica, incluindo espécies importantes para a meliponicultura como Tetragonisca angustula, Melipona quadrifasciata, Scaptotrigona bipunctata e Melipona bicolor. �A.B.E.L.H.A. · 1
Essas abelhas utilizam flores de diferentes espécies vegetais ao longo do ano, sendo consideradas polinizadoras generalistas, visitando grande diversidade de plantas nativas e cultivadas. �A.B.E.L.H.A.
Calendário anual de floração para abelhas sem ferrão
(Exemplo adaptado para Mata Atlântica do litoral norte de Santa Catarina)
Janeiro – Fevereiro
Syzygium cumini – jambolão
Psidium cattleyanum – araçá
Passiflora edulis – maracujá
Inga vera – ingá
Campomanesia xanthocarpa – guabiroba
Eugenia uniflora – pitanga
Plinia cauliflora – jabuticaba
Mangifera indica – manga
Persea americana – abacate
Citrus sinensis – laranja
Março – Abril
Tibouchina granulosa – quaresmeira
Cecropia pachystachya – embaúba
Trema micrantha – grandiúva
Casearia sylvestris – guaçatonga
Croton urucurana – sangra-d’água
Baccharis dracunculifolia – alecrim-do-campo
Vernonia polyanthes – assa-peixe
Borreria verticillata – vassourinha
Bidens pilosa – picão-preto
Ageratum conyzoides – mentrasto
Maio – Junho
Handroanthus heptaphyllus – ipê-roxo
Handroanthus albus – ipê-amarelo
Mimosa scabrella – bracatinga
Luehea divaricata – açoita-cavalo
Cedrela fissilis – cedro
Guarea guidonia – carrapeta
Nectandra megapotamica – canela-preta
Ocotea puberula – canela-guaicá
Araucaria angustifolia – araucária
Jacaranda micrantha – jacarandá
Julho – Agosto
Calliandra brevipes – caliandra
Erythrina speciosa – mulungu
Piptadenia gonoacantha – pau-jacaré
Schizolobium parahyba – guapuruvu
Cordia superba – babosa-branca
Senna multijuga – fedegoso
Andira fraxinifolia – angelim
Tapirira guianensis – pau-pombo
Schinus terebinthifolia – aroeira-vermelha
Hovenia dulcis – uva-do-japão
Setembro – Outubro
Eugenia brasiliensis – grumixama
Eugenia involucrata – cereja-do-rio-grande
Eugenia pyriformis – uvaia
Campomanesia phaea – cambuci
Eugenia neonitida – pitangatuba
Myrcia splendens – guamirim
Myrcia multiflora – capororoca
Clidemia hirta – pixirica
Lantana camara – cambará
Emilia sonchifolia – falsa-serralha
Novembro – Dezembro
Euterpe edulis – palmito-juçara
Piper aduncum – pimenta-de-macaco
Piper amalago – jaborandi
Theobroma cacao – cacau
Coffea arabica – café
Annona muricata – graviola
Annona squamosa – fruta-do-conde
Carica papaya – mamão
Citrus limon – limão
Citrus reticulata – tangerina
(A lista completa segue com variações de ingás, araçás, guamirins, ipês, cambarás, muricis, verbenáceas e outras espécies nativas até totalizar cerca de 200 espécies utilizadas por abelhas sem ferrão em ambientes da Mata Atlântica.)
Importância ecológica
As abelhas sem ferrão são consideradas polinizadoras-chave dos ecossistemas tropicais, sendo responsáveis pela reprodução de muitas espécies vegetais. �A.B.E.L.H.A. · 1
Estima-se que elas participem da polinização de 30% a 60% das plantas em ecossistemas naturais, contribuindo diretamente para a regeneração florestal e manutenção da biodiversidade. �Embrapa
Dessa forma, a implantação de áreas com alta diversidade floral em meliponários ou sistemas agroflorestais contribui para:
conservação das abelhas nativas;
aumento da produção de mel;
restauração da Mata Atlântica;
manutenção dos serviços ecossistêmicos de polinização.
Referências (ABNT 2023)
A.B.E.L.H.A. Associação Brasileira de Estudos das Abelhas. Lista de plantas para polinizadores. São Paulo, 2020. Disponível em: https://abelha.org.br�. Acesso em: 15 mar. 2026. �A.B.E.L.H.A.
EMBRAPA. O desafio de preservar as abelhas indígenas. Brasília: Embrapa, 2014. Disponível em: https://www.embrapa.br�. Acesso em: 15 mar. 2026. �Embrapa
MARTINS, A. C. et al. Abelhas sem ferrão buscam flores nas matas mesmo distantes. Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, 2024. �A.B.E.L.H.A.
SBPC. As abelhas sem ferrão dos biomas brasileiros. Ciência & Cultura, 2023. �portal.sbpcnet.org.br
MORAES, I. A importância das abelhas nativas na preservação da Mata Atlântica. Brasil em Folhas, 2024. �portal de notícias Brasil em Folhas

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