Pular para o conteúdo principal

CULTIVO DE MANGA (Mangifera indica L.) EM CLIMA SUBTROPICAL ÚMIDO: CULTIVARES, EXIGÊNCIAS DE SOLO E MANEJO NO LITORAL NORTE CATARINENSE

A cultura da manga (Mangifera indica L.) apresenta elevada importância econômica e nutricional no Brasil. Tradicionalmente cultivada em regiões tropicais, sua expansão para áreas subtropicais úmidas, como o litoral norte catarinense, exige adaptações de manejo. Este estudo aborda cultivares, exigências de pH do solo, potencial produtivo e práticas de manejo para viabilizar a produção em São Francisco do Sul (SC). Conclui-se que, embora o excesso de umidade represente desafio, técnicas como manejo de poda, escolha de cultivares resistentes e controle fitossanitário tornam a cultura viável.

Palavras-chave: Mangifera indica, fruticultura, clima subtropical, manejo agrícola, pH do solo.


1. INTRODUÇÃO

A mangueira (Mangifera indica L.) é uma frutífera tropical amplamente cultivada no Brasil, com destaque para sua adaptabilidade e valor econômico. Embora apresente melhor desempenho em regiões com estação seca definida, novas tecnologias permitem sua produção em áreas subtropicais úmidas, como Santa Catarina. �SoloHumics · 1

No litoral norte catarinense, o clima caracteriza-se por elevada umidade e chuvas bem distribuídas ao longo do ano, o que impacta diretamente a floração, frutificação e incidência de doenças.

A mangueira (Mangifera indica L.) apresenta melhor desenvolvimento em solos bem drenados, com pH ideal entre 5,5 e 7,5, sendo necessária correção com calagem em solos ácidos comuns no litoral de São Francisco do Sul. 

Cultivares como Tommy Atkins, Palmer e Kent demonstram maior adaptação e potencial produtivo em condições subtropicais. No clima subtropical úmido, a elevada umidade favorece doenças fúngicas e dificulta a indução floral, exigindo manejo técnico intensivo.

 A produção é viável, especialmente em pequena escala, com uso de drenagem eficiente, adubação equilibrada e controle fitossanitário. A poda para ventilação consiste na abertura da copa em formato de taça, removendo ramos internos e cruzados para aumentar a circulação de ar e a entrada de luz. 

Recomenda-se retirar no máximo 30% da copa, priorizando galhos doentes ou mal posicionados. Essa prática reduz a umidade interna, melhora a sanidade da planta e favorece a frutificação.


2. CULTIVARES DE MANGA

As principais cultivares utilizadas no Brasil incluem:

Tommy Atkins – alta produtividade e resistência ao transporte

Haden – boa qualidade sensorial

Kent – menor teor de fibras

Palmer – boa adaptação e produtividade tardia

Espada e Rosa – variedades tradicionais adaptadas localmente

Essas cultivares diferem quanto à resistência a doenças e adaptação climática, sendo fundamental a escolha de materiais mais tolerantes à umidade para regiões subtropicais. �

CPT


3. EXIGÊNCIAS DE SOLO E pH

O desenvolvimento da mangueira depende diretamente das condições edáficas.

3.1 Características do solo

Solo profundo e bem drenado

Textura areno-argilosa

Boa fertilidade natural

3.2 pH ideal

Faixa ideal: 5,5 a 7,5 �

CPT · 1

Solos ácidos requerem calagem

pH adequado aumenta a disponibilidade de nutrientes essenciais

3.3 Nutrientes importantes

Macronutrientes: N, P, K, Ca, Mg, S

Micronutrientes: Zn, B, Fe, Mn �

Ater Mais Digital


4. EXIGÊNCIAS CLIMÁTICAS E DESAFIOS NO CLIMA SUBTROPICAL ÚMIDO

A mangueira apresenta melhor desempenho em condições tropicais com estação seca definida. �

CEN 2022

4.1 Condições ideais

Temperatura: 20°C a 29°C �

CPT

Alta luminosidade

Período seco para indução floral

4.2 Condições de São Francisco do Sul (SC)

Alta umidade relativa do ar

Chuvas frequentes durante o ano

Baixa definição de estação seca

4.3 Principais problemas

Doenças fúngicas (antracnose, oídio)

Baixa indução floral

Queda de flores e frutos


5. POSSIBILIDADE DE PRODUÇÃO

Apesar das limitações climáticas, a produção de manga é viável em pequena e média escala, especialmente com:

Uso de cultivares adaptadas

Implantação em áreas bem drenadas

Manejo técnico adequado

A mangueira possui alta capacidade de adaptação e pode produzir economicamente em diferentes regiões do Brasil. �

MyBonsai


6. MANEJOS NECESSÁRIOS NO CLIMA SUBTROPICAL ÚMIDO

6.1 Manejo do solo

Análise química do solo

Calagem para correção do pH

Uso de matéria orgânica

Cobertura vegetal (mulching)

6.2 Manejo hídrico

Evitar encharcamento

Implantação em áreas elevadas

Drenagem eficiente

6.3 Poda

Poda de formação

Poda de limpeza para ventilação

Redução da umidade na copa

6.4 Indução floral

Uso de reguladores (ex: nitrato de potássio)

Controle do crescimento vegetativo

6.5 Controle fitossanitário

Monitoramento constante

Controle de:

Antracnose

Oídio

Mosca-das-frutas �

Aegro

6.6 Irrigação

Uso controlado

Evitar excesso em períodos críticos


7. Indução Floral e Manejo Nutricional na Cultura da Mangueira (Mangifera indica L.)

A indução floral da mangueira (Mangifera indica L.) é um processo fisiológico altamente dependente de fatores ambientais e nutricionais, sendo particularmente desafiador em regiões de clima subtropical úmido, como São Francisco do Sul. Nessas condições, a ausência de um período seco bem definido compromete a diferenciação de gemas florais, exigindo intervenções técnicas para garantir a produtividade.

Em condições naturais, a indução floral ocorre em resposta ao estresse hídrico e à redução do crescimento vegetativo. Contudo, em ambientes com elevada umidade e precipitação constante, torna-se necessário o uso de práticas de manejo que simulem tais condições. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, o controle do vigor vegetativo é essencial para favorecer a transição da fase vegetativa para reprodutiva.

Dentre as técnicas utilizadas, destaca-se a aplicação de reguladores de crescimento, como o nitrato de potássio (KNO₃), que promove a indução floral ao estimular a brotação reprodutiva. Além disso, práticas como poda de produção, suspensão temporária da irrigação e manejo nutricional equilibrado contribuem para o sucesso do processo.

O manejo nutricional exerce papel fundamental na indução floral e no desenvolvimento dos frutos. A adubação deve ser baseada em análise de solo e folha, visando o equilíbrio entre os nutrientes. O nitrogênio (N), embora essencial para o crescimento vegetativo, deve ser manejado com cautela, pois seu excesso pode inibir a floração. Em contrapartida, nutrientes como fósforo (P) e potássio (K) são fundamentais para a formação de flores e enchimento dos frutos.

O potássio, em especial, está diretamente relacionado à qualidade dos frutos, influenciando características como tamanho, teor de açúcares e resistência ao transporte. O fósforo atua na ऊर्जा metabólica e na formação de estruturas reprodutivas, enquanto micronutrientes como boro (B) e zinco (Zn) desempenham papel crucial na fertilidade das flores e no pegamento dos frutos.

De acordo com o Instituto Agronômico de Campinas, a deficiência de boro pode resultar em má formação floral e baixa frutificação, enquanto o zinco está associado à regulação hormonal e ao crescimento adequado das gemas. Assim, recomenda-se a aplicação foliar desses micronutrientes em períodos pré-florais.

Adicionalmente, o uso de matéria orgânica no solo contribui para a melhoria das propriedades físicas, químicas e biológicas, favorecendo a disponibilidade gradual de nutrientes e o desenvolvimento radicular. Em regiões de elevada pluviosidade, como o litoral catarinense, essa prática também auxilia na retenção de nutrientes e na redução de perdas por lixiviação.

A integração entre indução floral e manejo nutricional é, portanto, indispensável para o sucesso produtivo da mangueira em condições subtropicais úmidas. A adoção de práticas adequadas permite não apenas a obtenção de florescimento uniforme, mas também a produção de frutos de alta qualidade, assegurando a viabilidade econômica da cultura.



CONSIDERAÇÕES FINAIS

O cultivo de manga em clima subtropical úmido, como no litoral norte catarinense, é tecnicamente possível, porém exige maior controle agronômico. A adaptação depende principalmente da escolha adequada de cultivares, manejo do solo e controle da umidade. Sistemas de produção bem planejados podem garantir produtividade e qualidade dos frutos.


REFERÊNCIAS (ABNT 2023)

AGRICULTURAAZ. Como plantar manga: guia completo de cultivo e manejo. 2025. Disponível em: https://agriculturaaz.com.br/⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026. �

AgriculturaAZ

ASCENZA. Manga: fatores críticos para o cultivo. Disponível em: https://ascenza.com.br/⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026. �

Ascenza

CPT – CURSOS A DISTÂNCIA. Cultivo de manga: clima, temperatura, solo e colheita. Disponível em: https://www.cpt.com.br/⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026. �

CPT

EMBRAPA. Sistema de produção da manga: solo e manejo. Disponível em: https://www.embrapa.br/⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026. �

Ater Mais Digital

PIMENTEL JÚNIOR, A. et al. Cultivares de manga: exigências edafoclimáticas e manejo. Revista Campo & Negócios, 2022. �

CEN 2022

SOLOHUMICS. A cultura da manga e as substâncias húmicas. 2022. Disponível em: https://solohumics.com.br/⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026. �

SoloHumics

AEGRO. Manejo da manga: do solo à colheita. 2025. Disponível em: https://aegro.com.br/⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026. 

EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA (EMBRAPA). Sistema de produção da mangueira. Brasília: EMBRAPA, 2010. Disponível em: https://www.embrapa.br⁠�. Acesso em: 04 abr. 2026.

INSTITUTO AGRONÔMICO DE CAMPINAS (IAC). Boletim técnico: nutrição e manejo da mangueira. Campinas: IAC, 2018.

SOUZA, F. X.; ARAÚJO, J. L. P. A cultura da mangueira no Brasil. Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2012.

PEREIRA, M. C. T. et al. Indução floral e manejo nutricional da mangueira. Revista Brasileira de Fruticultura, v. 34, n. 2, p. 456-468, 2012.

CUNHA, G. A. P. et al. Fruticultura tropical: práticas de manejo. Brasília: EMBRAPA, 2016.

MARSCHNER, P. Mineral Nutrition of Higher Plants. 3. ed. London: Academic Press, 2012.


































Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

REALIDADE, VERDADE E IDEOLOGIA: ENTRE A CIÊNCIA, A RELIGIÃO E A CRÍTICA FREIREANA

A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...

Análises Sociológicas de desenhos animados - Histórias em Quadrinhos (HQs)

Este estudo sociológico está dividido em três partes, a primeira analisa três desenhos animados HQS:  X-Men , Turma da Mônica   e Attack on Titan    e a segunda parte analisa o mundo de Gumball.  A terceira parte outros desenhos com análise sociológica crítica por temáticas: poder, ideologia, classe social, gênero, racismo, patriarcado e colonialidade. Analisando desenhos animados HQS machismo,  nacionalismo, ódio,  manipulação da História segregação social,  desumanização,  pautas progressista e valores da sociedade brasileira. Como surgiu interessante pelos desenhos animados? No sábado Miguelito me apresentou o debate sobre machismo no mundo de Gumball. O    canal Hamlet ARL está abaixo o vídeo da anális: sobre o roteiro de ideias como:  "meninos não choram" são debatidas no canal Hamlet ARL.  A construção da identidade é construida a partir dessas experiências desde criança que precisa ser Durão no caso dos meninos. Id...

A Sociedade do Desempenho, "capital do bem" Privatizações Normalização e Moral que Aliena os brasileiros ?

Está análise crítica a sociedade brasileira contemporânea a partir da articulação entre a sociedade do desempenho, a alienação política e a normalização da privatização dos direitos sociais. Discute-se como a população passa a aceitar voluntariamente o pagamento permanente por saúde, educação, moradia e serviços urbanos, enquanto o capital financeiro e imobiliário concentra poder e renda. Abordam-se a negação simbólica do SUS, a mercantilização da educação pública, a verticalização autoritária das cidades, a ideologia do enriquecimento individual e a servidão simbólica. Ao final, apresentam-se as cooperativas escolares como alternativa democrática à privatização. La sociedad del rendimiento, el “capital del bien”, las privatizaciones, la normalización y la moral que aliena a los brasileños Este análisis crítico aborda la sociedad brasileña contemporánea a partir de la articulación entre la sociedad del rendimiento, la alienación política y la normalización de la privatización de los de...