Pular para o conteúdo principal

RELIGIÃO, POLÍTICA E SOCIEDADE NO BRASIL CONTEMPORÂNEO: Uma análise multidimensional das relações entre neopentecostalismo, conservadorismo, desinformação, gênero/raça e agroecologia

A presente análise, em quatro dimensões interconectadas, as relações entre o campo religioso evangélico/neopentecostal e dinâmicas sociais, políticas e ambientais no Brasil do século XXI. A partir de referenciais da sociologia da religião, da comunicação política, dos estudos de gênero e raça e da agroecologia, discute-se: (1) as articulações entre neopentecostalismo, bancada evangélica e conservadorismo político; (2) a circulação de desinformação em redes sociais de caráter religioso; (3) os discursos conservadores sobre gênero e raça em contextos religiosos; e (4) os conflitos de valores entre agronegócio, igrejas rurais e sustentabilidade. A metodologia é de revisão bibliográfica qualitativa, com base em autores como Mariano (2004), Freston (2001), Pierucci (1996), Casanova (1994), Campos (2011) e Alentejano (2012). Conclui-se que a compreensão dessas relações exige abordagem interdisciplinar e historicamente situada, evitando reducionismos ideológicos.

Palavras-chave: neopentecostalismo; conservadorismo político; desinformação; gênero e raça; agroecologia.

ABSTRACT

This article analyzes, in four interconnected dimensions, the relationships between the evangelical/neo-Pentecostal religious field and social, political, and environmental dynamics in 21st-century Brazil. Drawing on frameworks from the sociology of religion, political communication, gender and race studies, and agroecology, it discusses: (1) the articulations between neo-Pentecostalism, the evangelical caucus, and political conservatism; (2) the circulation of misinformation in religiously oriented social networks; (3) conservative discourses on gender and race in religious contexts; and (4) value conflicts between agribusiness, rural churches, and sustainability. The methodology consists of qualitative bibliographic review, based on authors such as Mariano (2004), Freston (2001), Pierucci (1996), Casanova (1994), Campos (2011), and Alentejano (2012). The conclusion is that understanding these relationships requires an interdisciplinary and historically situated approach, avoiding ideological reductionism.

Keywords: neo-Pentecostalism; political conservatism; misinformation; gender and race; agroecology.


1 INTRODUÇÃO

O campo religioso brasileiro passou por transformações profundas ao longo do século XX, com a expansão acelerada das igrejas evangélicas e, sobretudo, do segmento neopentecostal a partir das décadas de 1970 e 1980. Segundo dados do IBGE (2010), os evangélicos representavam aproximadamente 22% da população brasileira, com tendência de crescimento que estudos posteriores estimam em torno de 30% na segunda metade da década de 2010 (FGV, 2020).

Esse crescimento numérico veio acompanhado de uma inserção cada vez mais visível na esfera política, cultural e midiática do país, suscitando debates acadêmicos e sociais sobre os limites entre o público e o privado, entre a fé e a gestão do Estado. O presente artigo propõe-se a examinar, com rigor analítico e base empírica, quatro dimensões articuladas desse fenômeno: as relações entre neopentecostalismo e conservadorismo político; a produção e circulação de desinformação em ambientes religiosos digitais; os discursos sobre gênero e raça no interior de comunidades evangélicas; e as tensões entre projetos religiosos rurais, agronegócio e agroecologia.

A relevância da temática para a educação básica e para a formação cidadã é inequívoca, uma vez que tais dinâmicas atravessam o cotidiano escolar, as relações familiares e as políticas públicas que afetam diretamente estudantes e professores da rede pública.

A análise sobre as relações entre religião, política e sociedade no Brasil contemporâneo.

Aborda o crescimento do neopentecostalismo e sua influência no conservadorismo político.

Discute a circulação de desinformação em redes sociais religiosas.

Examina questões de gênero, raça e suas tensões no contexto religioso.

Reflete sobre os conflitos entre agronegócio, religiosidade rural e agroecologia.


2 RELIGIÃO, POLÍTICA E CONSERVADORISMO NO BRASIL

2.1 O neopentecostalismo como fenômeno político-religioso

A análise das relações entre religiosidade evangélica e política no Brasil requer uma distinção conceitual prévia. O campo evangélico brasileiro é internamente heterogêneo, compreendendo desde igrejas históricas de orientação social-progressista até megaigrejas neopentecostais com agendas explicitamente conservadoras (MARIANO, 2004). O neopentecostalismo, corrente surgida na década de 1970 com igrejas como a Universal do Reino de Deus e a Internacional da Graça, caracteriza-se pela ênfase na prosperidade material, na guerra espiritual e na ocupação estratégica de espaços de poder (MARIANO, 1999).

Paul Freston (2001), em estudo comparativo sobre evangélicos e política na América Latina, demonstra que a entrada massiva de pastores e líderes religiosos nos parlamentos brasileiros não obedece a uma única orientação ideológica, embora predomine, desde os anos 1990, uma coalização conservadora em torno de temas como família, sexualidade e segurança pública. Antônio Flávio Pierucci (1996) havia antecipado essa tendência ao analisar o eleitorado conservador e a sedução do autoritarismo em setores populares evangelizados.

José Casanova (1994), em sua obra clássica sobre as religiões públicas no mundo moderno, argumenta que a desprivatização da religião — ou seja, sua reentrada no espaço público após décadas de secularização — é um fenômeno global, mas assume formas específicas em cada contexto nacional. No Brasil, essa desprivatização adquire feições particulares pelo vínculo histórico entre pentecostalismo, pobreza e esperança de ascensão social, o que confere às lideranças religiosas capital político considerável junto a setores vulnerabilizados da população.

Leandro Karnal e outros historiadores têm alertado para o risco de se confundir o fenômeno religioso em si com seus usos políticos instrumentais. A fé de milhões de brasileiros evangélicos não é redutível às estratégias eleitorais de suas lideranças, e qualquer análise que ignore essa distinção incorrerá em simplificação sociológica inaceitável (KARNAL, 2018).


2.2 A bancada evangélica e as políticas públicas

A Frente Parlamentar Evangélica, conhecida popularmente como 'bancada evangélica', consolidou-se como um dos principais blocos suprapartidários do Congresso Nacional brasileiro ao longo dos anos 2000 e 2010, chegando a reunir mais de 200 parlamentares na legislatura 2019-2023 (DIAP, 2018). Sua atuação concentrou-se, historicamente, na oposição a pautas de direitos sexuais e reprodutivos, na defesa do ensino religioso confessional nas escolas públicas e, mais recentemente, em questões relacionadas ao armamento civil e à agenda ruralista (CAMPOS, 2011).

Essa convergência entre pauta religiosa conservadora e agronegócio — frequentemente expressa na sigla popularizada nas redes sociais como 'BBB' (bala, boi e Bíblia) — representa uma aliança de interesses que transcende a dimensão espiritual e se inscreve no campo das disputas por recursos, territórios e modelos de desenvolvimento (SAUER; LEITE, 2012). A análise acadêmica dessa aliança não implica, contudo, a redução da religiosidade a mero instrumento de dominação, mas exige o exame das condições históricas e materiais que tornaram possível tal articulação.


3 DESINFORMAÇÃO RELIGIOSA E REDES SOCIAIS

3.1 Ecossistemas digitais e fake news em comunidades de fé

A disseminação de desinformação por meio de aplicativos de mensagens e redes sociais constituiu um dos fenômenos mais estudados da comunicação política brasileira no período 2018-2022. Pesquisas do Instituto Reuters (2020) e do Nexo Jornal (2019) identificaram grupos religiosos de WhatsApp e Telegram como espaços privilegiados de circulação de notícias falsas, especialmente sobre temas como vacinas, eleições e políticas de gênero.

Raquel Recuero e Marco Bastos (2019), em análise das redes de desinformação no Brasil, observaram que a confiança interpessoal característica das comunidades religiosas — baseada em laços fortes de pertencimento identitário — potencializa o efeito viral de conteúdos falsos, uma vez que a fonte (o pastor, o líder de célula, o irmão de fé) goza de credibilidade prévia que dispensa verificação crítica.

Esse fenômeno não é exclusivo do campo evangélico — igrejas católicas e espíritas também foram identificadas como vetores de desinformação em determinados contextos —, mas sua escala no universo neopentecostal é amplificada pela estrutura de megaigrejas com redes de comunicação próprias, canais de televisão e rádio e presença massiva em plataformas digitais (EMPOLI, 2019).


3.2 Desinformação, políticas públicas e educação

Para a educação básica, o tema da desinformação religiosa tem implicações diretas. Estudantes que recebem em casa informações falsas sobre evolução biológica, vacinas, saúde sexual e reprodutiva ou mudanças climáticas chegam à escola com crenças arraigadas que desafiam o trabalho docente (CARVALHO, 2018). A BNCC reconhece a necessidade de desenvolver nos estudantes competências de letramento midiático e informacional precisamente para lidar com esse cenário (BRASIL, 2018).

A resposta educativa adequada não é a confrontação direta com a fé dos estudantes, mas o desenvolvimento de ferramentas de verificação crítica de informações e de distinção entre conhecimento científico e crença religiosa — domínios que, conforme a Constituição Federal de 1988, são igualmente legítimos em suas esferas próprias, mas não intercambiáveis.


4 RELIGIÃO E QUESTÕES DE GÊNERO E RAÇA NO BRASIL CONTEMPORÂNEO

4.1 Discursos conservadores sobre gênero em contextos religiosos

O debate sobre gênero e sexualidade tornou-se um dos principais eixos de conflito entre o campo religioso conservador e os movimentos de direitos humanos no Brasil da segunda década do século XXI. A campanha contra a chamada 'ideologia de gênero' nas escolas — que mobilizou lideranças evangélicas e católicas na oposição ao Plano Nacional de Educação de 2014 — é um exemplo paradigmático de como discursos religiosos podem influenciar diretamente a formulação de políticas educacionais (MISKOLCI; CAMPANA, 2017).

Pesquisadoras como Cláudia Fonseca (2005) e Miriam Pillar Grossi (2004) demonstraram que as representações de gênero no interior das igrejas evangélicas são mais complexas e contraditórias do que sugerem os discursos institucionais. Se, por um lado, o conservadorismo doutrinário impõe normas de feminilidade e conjugalidade heterossexual, por outro, as comunidades religiosas oferecem às mulheres de classes populares espaços de protagonismo, redes de apoio e narrativas de valorização pessoal que têm impacto concreto em suas vidas (MACHADO, 2005).

Essa ambivalência exige que a análise acadêmica e a prática pedagógica evitem tanto a idealização quanto a demonização do pertencimento religioso feminino, reconhecendo a agência das sujeitas em contextos institucionalmente constrangidos.


4.2 Raça, religiosidade e estruturas de poder

A relação entre raça e religião no Brasil é perpassada por uma história de violência simbólica e material que remonta ao período colonial. As religiões de matriz africana — candomblé, umbanda, batuque — foram sistematicamente perseguidas pelo Estado e por instituições religiosas cristãs ao longo dos séculos XIX e XX, e continuam sendo alvo de ataques físicos e simbólicos no século XXI (SCHWARCZ; STARLING, 2015).

Pesquisas do IBGE (2010) e do IPEA (2019) revelam que a população negra, especialmente em contextos de vulnerabilidade social, apresenta taxas mais elevadas de conversão ao pentecostalismo, o que tem sido interpretado de formas divergentes na literatura: como expressão de busca de dignidade e pertencimento em contextos de exclusão, ou como substituição de referências culturais afro-brasileiras por um ethos individualista e meritocrático que pode despolitizar demandas coletivas (SILVA, 2007).

O debate, longe de ser encerrado, aponta para a necessidade de pesquisas interseccionais que articulem raça, classe, gênero e religiosidade sem hierarquizar aprioristicamente esses eixos de análise.


5 AGROECOLOGIA, AGROTÓXICOS E RELIGIOSIDADE RURAL

5.1 Conflitos de valores no campo: entre a fé, o agronegócio e a sustentabilidade

O Brasil é, simultaneamente, o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e um dos países com maior biodiversidade do planeta (IBAMA, 2019). Esse paradoxo se materializa no campo como conflito entre modelos de produção agrícola: de um lado, o agronegócio exportador, tecnificado e dependente de insumos químicos; de outro, a agricultura familiar e camponesa, frequentemente associada a práticas agroecológicas e a modos de vida que incorporam dimensões culturais, espirituais e comunitárias (ALTIERI, 2012).

Paulo Alentejano (2012) demonstra que a concentração fundiária e a expansão do agronegócio nas últimas décadas produziram um esvaziamento das comunidades rurais que, paradoxalmente, fortaleceu a presença de igrejas evangélicas no campo como instituições de coesão social e resistência identitária. Nesse contexto, a relação entre religiosidade rural e modelo produtivo é ambígua: algumas comunidades religiosas endossam a narrativa do progresso tecnológico e da produtividade como bênção divina, enquanto outras desenvolvem discursos de cuidado com a criação e valorização da agricultura familiar que se aproximam de princípios agroecológicos (LEFF, 2001).


5.2 Educação do campo, fé e agroecologia

A Educação do Campo, institucionalizada pela Resolução CNE/CEB n. 1/2002 e pelo Decreto n. 7.352/2010, reconhece a especificidade dos sujeitos do campo e sua relação com a terra, o trabalho e a cultura como dimensões pedagógicas fundamentais. Nesse marco, a religiosidade das comunidades rurais não é um obstáculo à educação científica, mas um elemento da identidade cultural que pode ser articulado a práticas de sustentabilidade quando mediado por processos pedagógicos reflexivos (CALDART, 2004).

Práticas como o quintal produtivo, a horta agroecológica escolar e o manejo de sementes crioulas têm sido incorporadas a projetos de educação ambiental em escolas do campo que dialogam com valores religiosos de cuidado, partilha e respeito à natureza — valores presentes tanto em tradições evangélicas quanto em outras matrizes espirituais brasileiras (TIRIBA; CIAVATTA, 2004). A chave pedagógica reside em identificar esses pontos de convergência sem instrumentalizar a fé nem subordinar o conhecimento científico a dogmas religiosos.


6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A análise das quatro dimensões abordadas neste artigo — neopentecostalismo e conservadorismo político; desinformação religiosa; gênero, raça e religião; agroecologia e religiosidade rural — revela a impossibilidade de uma leitura unívoca e reducionista do campo religioso evangélico brasileiro.

Em todas as dimensões, identificam-se tensões internas, contradições produtivas e sujeitos em disputa. A religião, como fenômeno humano total, é simultaneamente veículo de dominação e de resistência, de exclusão e de acolhimento, de conservação e de transformação. A tarefa da análise científica é precisamente mapear essas contradições sem capitular à tentação da simplificação ideológica — seja ela a que santifica, seja a que demoniza o fenômeno religioso.

Para educadores da rede pública, especialmente no contexto da educação básica catarinense e do Currículo Base Territorial Catarinense, essa compreensão tem implicações concretas: ela permite abordagens pedagógicas que respeitam a diversidade religiosa dos estudantes sem abdicar do rigor científico, desenvolvendo as competências críticas previstas na BNCC (Brasil, 2018) e promovendo uma formação cidadã plural, democrática e comprometida com a dignidade humana.


REFERÊNCIAS

ALTIERI, Miguel A. Agroecologia: bases científicas para uma agricultura sustentável. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2012.

ALENTEJANO, Paulo Roberto Raposo. A estrutura agrária brasileira e os desafios para a Reforma Agrária no século XXI. In: STÉDILE, João Pedro (org.). A questão agrária no Brasil. São Paulo: Expressão Popular, 2012. p. 141-168.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018. Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 10 abr. 2024.

CALDART, Roseli Salete. Pedagogia do Movimento Sem Terra. 3. ed. São Paulo: Expressão Popular, 2004.

CAMPOS, Leonildo Silveira. Teatro, templo e mercado: organização e marketing de um empreendimento neopentecostal. Petrópolis: Vozes, 2011.

CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 22. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

CASANOVA, José. Public religions in the modern world. Chicago: University of Chicago Press, 1994.

DIAP — DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ASSESSORIA PARLAMENTAR. Radiografia do novo Congresso: legislatura 2019-2023. Brasília: DIAP, 2018.

EMPOLI, Giuliano da. Os engenheiros do caos. São Paulo: Vestígio, 2019.

FONSECA, Cláudia. Família, fofoca e honra: etnografia de relações de gênero e violência em grupos populares. 2. ed. Porto Alegre: UFRGS, 2005.

FRESTON, Paul. Evangelicals and politics in Asia, Africa and Latin America. Cambridge: Cambridge University Press, 2001.

FGV — FUNDAÇÃO GETULIO VARGAS. O Novo Mapa das Religiões. Rio de Janeiro: FGV, 2020.

GROSSI, Miriam Pillar. Gênero e parentesco: famílias gays e lésbicas no Brasil. Cadernos Pagu, Campinas, n. 21, p. 261-280, 2004.

IBAMA — INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS. Relatório de comercialização de agrotóxicos: boletim complementar. Brasília: IBAMA, 2019.

IBGE — INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo Demográfico 2010: características gerais da população, religião e pessoas com deficiência. Rio de Janeiro: IBGE, 2010.

IPEA — INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. Atlas da violência 2019. Brasília: IPEA; FBSP, 2019.

KARNAL, Leandro. Todos contra todos: o ódio nosso de cada dia. Rio de Janeiro: LeYa, 2018.

LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade, poder. Petrópolis: Vozes, 2001.

MACHADO, Maria das Dores Campos. Religião, cultura e política. Religião e Sociedade, Rio de Janeiro, v. 25, n. 2, p. 14-46, 2005.

MARIANO, Ricardo. Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil. São Paulo: Loyola, 1999.

MARIANO, Ricardo. Expansão pentecostal no Brasil: o caso da Igreja Universal. Estudos Avançados, São Paulo, v. 18, n. 52, p. 121-138, 2004.

MISKOLCI, Richard; CAMPANA, Maximiliano. 'Ideologia de gênero': notas para a genealogia de um pânico moral contemporâneo. Sociedade e Estado, Brasília, v. 32, n. 3, p. 725-747, 2017.

PIERUCCI, Antônio Flávio. Ciladas da diferença. Tempo Social, São Paulo, v. 2, n. 2, p. 7-33, 1990.

RECUERO, Raquel; BASTOS, Marco. O que é desinformação. Chasqui — Revista Latinoamericana de Comunicación, Quito, n. 141, p. 55-74, 2019.

REUTERS INSTITUTE. Digital News Report 2020. Oxford: Reuters Institute for the Study of Journalism, 2020. Disponível em: https://reutersinstitute.politics.ox.ac.uk. Acesso em: 10 abr. 2024.

SAUER, Sérgio; LEITE, Acácio Zuninga. Medida Provisória 458/2009 e a regularização fundiária na Amazônia: entre os avanços e os riscos. Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro, v. 46, n. 3, p. 621-641, 2012.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

SILVA, Vagner Gonçalves da. Neopentecostalismo e religiões afro-brasileiras: significados do ataque aos símbolos da herança religiosa africana no Brasil contemporâneo. Mana, Rio de Janeiro, v. 13, n. 1, p. 207-236, 2007.

TIRIBA, Lia; CIAVATTA, Maria (org.). Trabalho e educação de jovens e adultos. Brasília: Liber Livro; UFF, 2004.





Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

REALIDADE, VERDADE E IDEOLOGIA: ENTRE A CIÊNCIA, A RELIGIÃO E A CRÍTICA FREIREANA

A presente análise discore sobre as distinções conceituais entre realidade, verdade e ideologia a partir de uma abordagem filosófica e crítica, articulando contribuições da epistemologia científica, da tradição platônica, da sociologia do conhecimento e da pedagogia crítica de Paulo Freire. Parte-se da compreensão de que a verdade não se confunde com a realidade em si, mas constitui uma construção histórica e social mediada por linguagens, interesses e estruturas de poder. Analisa-se o estatuto da verdade na ciência, na religião e na ideologia, demonstrando como determinadas “verdades” operam como instrumentos de dominação ou libertação. Ao final, sustenta-se que a busca da verdade exige uma postura rigorosamente crítica, dialógica e emancipatória. Em Jesus, a verdade nasce da realidade concreta dos pobres e oprimidos e se opõe a toda forma de ideologia que encobre a injustiça. Sua verdade não serve ao poder, mas se realiza no amor que liberta e transforma a história. Palavras-cha...

Análises Sociológicas de desenhos animados - Histórias em Quadrinhos (HQs)

Este estudo sociológico está dividido em três partes, a primeira analisa três desenhos animados HQS:  X-Men , Turma da Mônica   e Attack on Titan    e a segunda parte analisa o mundo de Gumball.  A terceira parte outros desenhos com análise sociológica crítica por temáticas: poder, ideologia, classe social, gênero, racismo, patriarcado e colonialidade. Analisando desenhos animados HQS machismo,  nacionalismo, ódio,  manipulação da História segregação social,  desumanização,  pautas progressista e valores da sociedade brasileira. Como surgiu interessante pelos desenhos animados? No sábado Miguelito me apresentou o debate sobre machismo no mundo de Gumball. O    canal Hamlet ARL está abaixo o vídeo da anális: sobre o roteiro de ideias como:  "meninos não choram" são debatidas no canal Hamlet ARL.  A construção da identidade é construida a partir dessas experiências desde criança que precisa ser Durão no caso dos meninos. Id...

A Sociedade do Desempenho, "capital do bem" Privatizações Normalização e Moral que Aliena os brasileiros ?

Está análise crítica a sociedade brasileira contemporânea a partir da articulação entre a sociedade do desempenho, a alienação política e a normalização da privatização dos direitos sociais. Discute-se como a população passa a aceitar voluntariamente o pagamento permanente por saúde, educação, moradia e serviços urbanos, enquanto o capital financeiro e imobiliário concentra poder e renda. Abordam-se a negação simbólica do SUS, a mercantilização da educação pública, a verticalização autoritária das cidades, a ideologia do enriquecimento individual e a servidão simbólica. Ao final, apresentam-se as cooperativas escolares como alternativa democrática à privatização. La sociedad del rendimiento, el “capital del bien”, las privatizaciones, la normalización y la moral que aliena a los brasileños Este análisis crítico aborda la sociedad brasileña contemporánea a partir de la articulación entre la sociedad del rendimiento, la alienación política y la normalización de la privatización de los de...