A moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos – para ser mais exato, uma interpretação errônea.
Este aforismo encontra-se no capítulo intitulado “Os melhoradores da Humanidade”, do livro “Crepúsculo dos ídolos”, o qual Nietzsche defende que toda moral é uma interpretação que responde a necessidades fisiológicas e psicológicas específicas.
Portanto, o juízo moral é um “sintoma” do estado do corpo (homem, cultura) e não uma verdade em si. Na história da moral, sempre se tratou de melhorar a humanidade e isto de duas maneiras: ou “selecionando” um tipo de ser humano privilegiado (moral das castas da Índia), ou “domesticando” a própria humanidade (moral gregária e cristã).
A cada vez, a moral é venerada como um ídolo, uma fabricação ilusória, utilizando os meios mais cruéis e imorais para chegar à “domesticação do ser humano”.
[...] “A moral é apenas uma interpretação de certos fenômenos – para ser mais exato, uma interpretação errônea. O juízo moral, tal como o religioso, pertence a um estágio de ignorância ao qual ainda falta inclusive o conceito real, a distinção entre real e imaginário: de modo que em tal estágio, “verdade” designa somente coisas que hoje chamamos de “ilusões”. Por isso o juízo moral jamais deve ser levado ao pé da letra: como tal contém apenas disparates. Como semiótica, porém é inestimável: ele revela, pelo menos ao entendido, as mais valiosas realidades de culturas e interioridades que não sabiam o bastante para “compreender” a si próprias. A moral é apenas um discurso por sinais, apenas sintomatologia: é preciso já saber do que se trata para se tirar proveito dela.”
— Friedrich Wilhelm Nietzsche. “Crepúsculo dos Ídolos: Como se filosofa com o Martelo”. 1ª Edição – Porto Alegre: L&PM Editores; [2020] (Coleção L&PM POCKET, v.799) p.60 §1.
Imagem: “Retrato do filósofo alemão Friedrich Nietzsche”, por Francisco Fonollosa. (1844 - 1900).

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