Sociologia Feminista Contemporânea: Entre o Cuidado e o Patriarcado nas Perspectivas de Lucila Scavone e Rosa Cobo
Este estudo analisa as contribuições de Lucila Scavone e Rosa Cobo para a sociologia feminista dos séculos XX e XXI. Scavone, ao articular feminismo e ciências sociais, propõe o cuidado e a reprodução como dimensões centrais da análise sociológica, questionando a neutralidade científica e valorizando o conhecimento situado das mulheres. Já Cobo compreende o patriarcado como sistema estruturante das desigualdades sociais, propondo uma sociologia feminista capaz de romper com o androcentrismo teórico e político das ciências tradicionais. A comparação entre ambas revela a convergência entre o feminismo latino-americano e o europeu na luta por epistemologias emancipatórias que revalorizem as experiências femininas e transformem as relações sociais de gênero.
Palavras-chave: Sociologia feminista; Cuidado; Patriarcado; Gênero; Epistemologias feministas.
Introdução
A sociologia feminista surge como resposta crítica ao androcentrismo que marcou as ciências sociais desde o século XIX. No século XXI, autoras como Lucila Scavone e Rosa Cobo ampliam esse campo teórico ao repensar as relações entre gênero, poder e conhecimento. Scavone insere o cuidado e a reprodução como categorias sociológicas centrais, enquanto Cobo analisa o patriarcado como estrutura global de dominação. Ambas convergem ao propor epistemologias feministas comprometidas com a transformação social.
Feminismo e Ciências Sociais
Lucila Scavone, em Dar a vida e cuidar da vida: Feminismo e Ciências Sociais (2004), propõe uma releitura das relações sociais a partir do cuidado e da reprodução. Para a autora, cuidar da vida é um ato político e ético que revela as bases invisíveis da sociedade. O cuidado, tradicionalmente associado ao feminino, torna-se categoria analítica fundamental para compreender as desigualdades de gênero e a divisão sexual do trabalho. Scavone defende que o feminismo deve transformar as ciências sociais, incorporando o corpo, a subjetividade e as experiências das mulheres como fontes legítimas de conhecimento.
Sociología Feminista
Rosa Cobo, em Sociología Feminista (2022), desenvolve uma teoria crítica do patriarcado como sistema estrutural que organiza o poder e a economia global. A autora propõe que a sociologia feminista seja não apenas uma corrente teórica, mas também um projeto político de emancipação. Cobo questiona a racionalidade patriarcal das ciências modernas e analisa como a globalização intensifica as formas de desigualdade entre mulheres e homens. Para ela, compreender o patriarcado é condição essencial para a justiça social e de gênero.
As duas autoras, apesar de contextos distintos, convergem na crítica à neutralidade científica e na valorização das epistemologias situadas. Scavone enfatiza o cuidado como resistência à lógica capitalista e patriarcal, enquanto Cobo denuncia o patriarcado como base da exclusão estrutural. Ambas reafirmam a sociologia feminista como campo transformador, capaz de reconstruir o conhecimento e promover uma sociedade mais justa e igualitária.
Conclusão
As contribuições de Lucila Scavone e Rosa Cobo reafirmam a força da sociologia feminista como campo crítico e emancipador. Scavone evidencia o cuidado como dimensão política e estruturante da vida social, enquanto Cobo analisa o patriarcado como sistema global de poder. Juntas, suas obras apontam para uma ciência comprometida com a justiça de gênero e com a construção de novos paradigmas éticos e epistemológicos, nos quais o saber feminista é central para repensar o mundo contemporâneo.
Referências
COBO, Rosa. Sociologia feminista: ordem de gênero e desordem patriarcal. Madrid: Los Libros de la Catarata, 2019.
SCAVONE, Lucila. Dar a vida e cuidar da vida: feminismo e ciências sociais. São Paulo: Editora Unesp, 2020.
SCAVONE, Lucila. O feminismo e o conceito de gênero. In: COSTA, Ana Alice Alcântara; SARDENBERG, Cecília Maria Bacellar (orgs.). Feminismo, ciência e política. Salvador: UFBA, 2009. p. 25–40.
COBO, Rosa. La prostitución en el corazón del capitalismo. Madrid: Los Libros de la Catarata, 2017.
FEDERICI, Silvia. O ponto zero da revolução: trabalho doméstico, reprodução e lutas feministas. São Paulo: Elefante, 2019.
Fontes das imagens
<https://jornal.unesp.br/2022/03/08/professora-da-unesp-dara-nome-a-biblioteca-na-cidade-de-araraquara/>
< https://kamchatka.es/rosa-cobo-me-parece-preocupante-que-iu-haya-expulsado-al-partido-feminista/ > Acessado em outubro de 2025.

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